Comentário – Lição 07

Unidade: O Vínculo Do Reavivamento 

Autor: O pastor Everaldo é bacharel em Teologia e pós-graduado em Missiologia com ênfase em missão urbana pelo SALT-IAENE. Atualmente é pastor do distrito de Planta São Marcos, na Associação Sul Paranaense. É casado com a professora Deise Garcia Arnas.

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Ampliação

VERSO PARA MEMORIZAR: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4:1-3).

Introdução

O famoso evangelista Dwight L. Moody certa vez disse: “Satanás separa. Deus une. O amor nos une.” A lição desta semana fala sobre a unidade na igreja, que resulta em reavivamento espiritual. No verso para memorizar, o apóstolo Paulo usou a palavra unidade como segredo para o sucesso na vida cristã. Ellen G. White escreveu: “No quarto capítulo de Efésios o plano de Deus é revelado com tanta clareza e simplicidade que todos os Seus filhos podem se apropriar da verdade. Ali é exposto claramente o meio que Ele designou para manter a unidade em Sua igreja, de modo que seus membros revelem ao mundo uma experiência religiosa saudável” (SDA Bible Commentary, v. 6, p. 1.117).

As moedas norte-americanas apresentam dois lemas: “In God We Trust” (Em Deus Confiamos) e “E Pluribus Unum” (De Muitos, Um”). A segunda expressão, do latim, resume a mensagem de 1 Coríntios 12. A primeira é a base da unidade e a segunda o resultado da unidade: “De muitos, um”. Assim deve ser a vida cristã: um único Deus, um povo unido, apesar das diferenças sociais e culturais.

Ellen G. White afirma: “É importante notar que só depois de haverem os discípulos entrado em união perfeita, quando não mais contendiam pelas posições mais elevadas, o Espírito foi derramado. Estavam unânimes. Todas as divergências haviam sido postas de lado. E o testemunho dado a seu respeito depois de derramado o Espírito, é o mesmo. Note a expressão: “Era um o coração e a alma da multidão dos que criam” (At 4:32). O Espírito dAquele que morreu para que os pecadores vivessem, dirigia a inteira congregação de crentes” (Ellen G. White, Conselhos Para a Igreja, p. 99, 100).

Sem unidade a igreja se torna fraca e ineficiente. A igreja desunida deixa de lutar contra as trevas e passa a ter uma “luta do bem contra o bem”, uma batalha entre os irmãos. Dessa forma, a missão deixa de ser cumprida e a igreja perde o sentido para sua existência. Portanto, a unidade não é um fim em si mesma, mas faz parte do propósito maior de Deus: levar a mensagem do amor de Deus ao mundo. A igreja não deve ser de tal maneira unida que se feche para a missão. Se os recursos e talentos da igreja são usados apenas a serviço dos membros da igreja, pode até haver unidade, pode haver conforto, riqueza, conhecimento, mas não há propósito. No entanto, Deus tem um propósito para a unidade do corpo de Cristo. Ele deseja que sejamos unidos no serviço, assim como os membros do corpo devem fazer sua parte para a felicidade do corpo como um todo.

A primeira pergunta é: estamos unidos? Se estamos, ótimo! A segunda pergunta é: estamos unidos para quê? Se estamos unidos para pregar o evangelho e cumprir a missão, somos candidatos a receber o mesmo Espírito derramado sobre os discípulos do passado. Eles estavam unidos em torno de uma paixão: testemunhar sobre Aquele que havia dado sentido à sua vida e que havia morrido para salvá-los.

“Os discípulos não pediram uma bênção para si. Arcavam sob o peso da preocupação pelos perdidos. O evangelho devia ser levado aos confins da Terra, e reclamaram a dotação de poder que Cristo prometera. Foi então derramado o Espírito Santo e milhares se converteram num dia.

“O mesmo pode acontecer agora. Ponham de parte os cristãos toda dissensão, e entreguem-se a Deus para a salvação dos perdidos. Com fé peçam a bênção prometida, e ela virá. O derramamento do Espírito nos dias dos apóstolos foi a “chuva temporã”, e glorioso foi o resultado. Porém, a chuva serôdia será mais abundante” (Ellen G. White, Conselhos Para a Igreja, p. 99, 100).

Jesus orou pela unidade dos discípulos naquela ocasião e também orou pela nossa unidade hoje.

Quando observamos o livro de Atos, podemos compreender melhor o que é uma igreja unida. Muitas vezes pensamos na igreja como um prédio, templo ou santuário, mas o significado da palavra é claro: igreja vem do grego ekklesia, um grupo de pessoas reunidas. Esse grupo inicial de discípulos representou uma nova liderança do povo de Deus. O livro de Atos não foi escrito para nos desanimar, mas para nos mostrar o que podemos ser. Ao ler esse livro, devemos fazer uma profunda reflexão, pois esse livro precisa ser o espelho da igreja do século 21: Um grupo de pessoas unidas para cumprir a missão deixada por Jesus (At 1:8).

Apesar das diferenças do passado, esse grupo chegou à unidade: Mateus era coletor de impostos e havia extorquido dinheiro em benefício de Roma. Simão, o Zelote, que havia lutado contra Roma e sua opressão, deve ter visto Mateus como traidor. Pedro era pescador na região norte, longe dos conflitos de Jerusalém.

No entanto, Jesus os chamou para o discipulado e os uniu. Ele unificou esses homens com diferentes histórias. Jesus era o denominador comum. Eram pessoas sem uniformidade na carreira, no temperamento e na educação.

Eles se uniram em obediência ao Senhor e esperaram, sabendo que tinham uma missão. O desafio era muito grande e muitos pontos ainda estavam incertos. No entanto, algo essencial era que eles estavam unidos no corpo de Cristo e na missão designada ao corpo de Cristo.

Veja nesta sequência de textos a importância da unidade:

“Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar” (At 2:1, Almeida Corrigida e Fiel [ACF])
“Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com Seus irmãos” (At 1:14, ACF)

“Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E estavam todos unanimemente no alpendre de Salomão” (At 5:12, ACF).

“As multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia” (At 8:6, ACF).
Este último texto descreve o avivamento em Samaria, um campo missionário pagão. O reavivamento e o sucesso da missão foram alcançados pela unidade de coração e pelo poder do Espírito Santo. Há apenas um adjetivo e apenas uma declaração que Deus usa para descrever esse grupo inicial que abalou o mundo da época: unidade.

Como alcançar essa mesma unidade hoje, diante das nossas muitas diferenças de compreensão e maturidade? Vivemos em um grupo que parece ser bastante heterogêneo. Vivemos de maneira muito distante desse ideal de unidade. Como podemos viver em unidade?
Em Atos 13:1, 2 (ACF) lemos:

“Na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.”

Cinco homens de culturas diferentes: três eram profetas e dois eram professores. Eram diferentes na origem (romanos, gregos e judeus), na língua, cultura e educação, mas se uniram em oração. Eram diferentes, mas filhos do mesmo Pai celestial.
O reavivamento está ligado à unidade, que é essencial para o crescimento e a expansão da igreja. O Salmo 133:1, 2 diz: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.”

Duas palavras precisam ser cuidadosamente compreendidas. A palavra hebraica para “agradável” é um sinônimo de harmonia musical. Quando a música não soa bem, não é agradável para ouvir. A segunda palavra é “habitar”: O termo hebraico significa residência, continuidade e harmonia perpétua. Ellen G. White diz: “Recomendo-lhes as palavras do apóstolo Paulo no quarto capítulo de Efésios.

Esse capítulo é uma lição que Deus deseja que aprendamos e pratiquemos” (SDA Bible Commentary, v. 6, p. 1.117).

O pedido de Paulo é que suportemos uns aos outros em amor (Ef 4:2), cujo sentido no original grego é, literalmente, que tenhamos tolerância ou paciência uns com os outros. Isso não é uma fácil tarefa, mas necessária, pois é uma ordem do Senhor! Com certa ironia, alguém disse esta verdade: “A igreja, às vezes, é igual à arca de Noé; só dá para aguentar o mau cheiro de dentro por causa da tempestade lá fora”. A unidade deve habitar em nosso meio, e não deve ser apenas uma visita ocasional. Devemos estar de mãos unidas até a volta de Jesus.

Perguntas para reflexão:

1. Devemos estar unidos antes de pedir o Espírito ou devemos primeiramente pedir que o Espírito nos una?

2. Quais são as características da igreja unida? Como podemos alcançar essa unidade?

3. Sua igreja é unida? Sua igreja está reavivada como a igreja descrita no livro de Atos?

4. O que você pode fazer para que a igreja seja unida?

Vídeos

Introdução – Esboço da Lição “Reavivamento e Reforma” (aqui).

Esboço da Lição 7 – Unidade: o laço do reavivamento (aqui).

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