Comentário – Lição 05

Obediência: Fruto Do Reavivamento

Autor: Edinaldo Juarez Silva é graduado em Teologia aplicada e tem Mestrado em Teologia com ênfase em missão urbana e crescimento de igreja, ambos pelo SALT-IAENE.

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br

Ampliação

Introdução

O reavivamento genuíno causará um impacto visível na vida prática daqueles que o experimentarem. Reavivamento sem reforma não se comprovará verdadeiro, pois toda vez que o Espírito de Deus, mediante Sua Palavra, encontrar espaço na vida espiritual dos indivíduos, produzirá frutos dignos de uma nova vida em Cristo.

“Onde quer que a Palavra de Deus tenha sido fielmente pregada, seguiram-se resultados que atestaram de sua origem divina. O Espírito de Deus acompanhou a mensagem de Seus servos, e a Palavra era proclamada com poder. Os pecadores sentiam que sua consciência era despertada. A luz que ‘alumia a todo homem que vem ao mundo’ iluminava-lhes os íntimos recessos da alma, e as coisas ocultas das trevas eram manifestas. Coração e espírito eram tomados de profunda convicção. Ficavam convencidos do pecado, da justiça e do juízo vindouro. Tinham a intuição da justiça de Jeová e sentiam terror de aparecer, em sua culpa e impureza, diante dAquele que examina os corações. Com angústia exclamavam: ‘Quem me livrará do corpo desta morte?’ Ao revelar-se a cruz do Calvário, com o infinito sacrifício pelos pecados dos homens, viram que nada, senão os méritos de Cristo, seria suficiente para a expiação de suas transgressões. Somente esses méritos poderiam reconciliar os homens com Deus. Com fé e humildade, aceitaram o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Pelo sangue de Jesus tiveram “a remissão dos pecados passados” (O Grande Conflito, p. 461).

Domingo, 28 de julho – Vida transformada

Mark Finley diz que o chamado para o reavivamento “é um chamado ao cristianismo verdadeiro e autêntico. Não é um apelo a uma experiência superficial. Não é um chamado para o exterior sem o interior. É um chamado para permitir que o Espírito Santo queime todo traço de mundanismo, rebelião e falta de comprometimento e nos dê o brilho de uma genuína experiência com Deus” (O Reavivamento Prometido, p. 51).

Foi pela atuação direta do Espírito Santo que uma coragem igualmente santa se apoderou do vacilante e inseguro apóstolo, ao responder às ameaças do sumo sacerdote: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5:29). A obediência a Deus passou a ser o tema do coração de Pedro. Ele não mais vacilaria entre a vontade e o dever. As circunstâncias não mais determinariam suas atitudes diante dos desafios espirituais. Os reclamos divinos ocuparam o lugar em que sempre deveriam estar: o centro de sua vida e experiência religiosa.

A injustiça, hipocrisia e rebelião da casta sacerdotal judaica, havia décadas apostatada da verdadeira piedade, encontraram em Pedro um acirrado acusador. Uma voz denunciadora cheia de coragem e convicção bradava em nome dos milhares de sinceros filhos de Deus negligenciados, enganados e até perseguidos por aqueles que deveriam ser seus guias espirituais.

O clímax do compromisso de Pedro com a verdade e sua indignação com a injustiça dos líderes da nação se revelaram na mais séria denúncia: “O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro” (At 5:30).

A essa séria acusação ele acrescentou palavras que confirmavam como fidedigna a fonte dessa informação: “E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que Lhe obedecem” (At 5:32, RC). Assim, por palavra e por exemplo Pedro estabeleceu uma estreita relação entre obediência, fidelidade e a manifestação do Espírito Santo na vida dos filhos de Deus.

Segunda, 29 de julho – O alto preço da obediência

Estêvão foi escolhido para fazer parte de um grupo seleto de “homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (At 6:3). Os versos 5, 8 e 10 confirmam que ele preenchia as mais elevadas expectativas estabelecidas pelos apóstolos, e isso ficou evidente em seu poder de argumentar em favor da verdade e contra os enganos de alguns líderes judaicos, o queo povo, anciãos e escribas contra ele, os quais ´não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava” (At 6:10).

Em decorrência de sua fidelidade e coragem, Estêvão experimentou o que significa ser fiel até a morte ( Ap 2:10).

Deus deseja que cada cristão decida ser fiel a Ele custe o que custar, a despeito das circunstâncias e que enfrentemos as provações confiantes no poder e no cuidado de Deus.

Por outro lado, aqueles que vivem sob a influência do hedonismo moderno, não sabem o que significa fidelidade. Nunca tiveram tal experiência e a consideram uma excentricidade religiosa.

Até que ponto você será fiel? Alguns cristãos dizem: “Se for cômodo, se não demandar renúncia ou prejuízo, se não sacrificar meus prazeres, então serei fiel…” Mas, “os embaixadores de Cristo não têm nada a ver com as consequências. Eles devem realizar seu dever e deixar os resultados com Deus” (O Grande Conflito, p. 609). Como devemos tomar decisões morais? Ellen G.White escreveu: “Ao decidir sobre qualquer curso de ação, não devemos perguntar se isso trará prejuízo, mas se estaremos cumprindo a vontade de Deus” (Patriarcas e Profetas, p. 634).

Esse princípio sustenta a admoestação dada por Cristo: “Não temas as coisas que tens de sofrer […] Sê fiel até a morte” (Ap 2:10). Esse pode ser o preço da fidelidade, especialmente no contexto da intolerância religiosa prevista para o fim dos tempos. Mas muitos cristãos estão sucumbindo hoje ao serem provados por circunstâncias muito menos rigorosas. Se não conseguirmos ser fiéis no pouco, provavelmente não seremos no muito.

Terça, 30 de julho – Quando o Espírito surpreende

O Espírito Santo atua de forma incisiva em nossa vida, alterando radicalmente a nossa trajetória, mudando valores, cosmovisão, prioridades, alvos, etc. Esse fenômeno é um milagre chamado conversão.

O Espirito Santo nos surpreende pelo que faz em nós e por meio de nós. É impressionante perceber o que já foi realizado por pessoas simples, doutores, camponeses, empresários, operários, catedráticos, donas de casa, etc. Qualquer pessoa que permitir que Ele atue em seu ser, sentirá os efeitos de Sua atuação na vida pessoal e, por seu intermédio, na vida de outros. Pelo exemplo de governantes, profetas, apóstolos e pessoas simples, como Ellen G. White, William Carrey, John Wesley, Martinho Lutero e outros, percebemos que o mundo pode ser abalado pela atuação de uma pessoa que permite ser usada, sem reservas, pelo Espírito de Deus.

“Você pode ser uma grande bênção para outros se entregar-se, sem reservas, ao serviço do Senhor. Será concedido a você poder do alto, se tomar posição ao lado do Senhor. Por meio de Cristo você pode escapar da corrupção que pela concupiscência há no mundo, e ser um nobre exemplo do que Cristo pode fazer pelos que cooperam com Ele” (Medicina e Salvação, 43).

Paulo e Ananias foram dois grandes exemplos de que é impossível prever a utilidade de alguém que, renunciando ao próprio eu, se coloca sem reservas sob a direção do Espírito Santo. Embora sabendo que somos tentados a ter o domínio, o controle e reunir grande volume de informação antes que possamos avançar em determinado curso de ação, eles permaneceram obedientes e fiéis mesmo sem entender tudo a respeito da tarefa a eles confiada. Isso é o que significa fé: andar com convicção, mesmo não vendo tudo, não tendo todas as respostas, porque “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem” (Hb 11:1).

Quarta, 31 de julho – Sensibilidade ao chamado do Espírito

Paulo disse: “Ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial”(At 26:19). Agripa disse: “Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!” (At 26:28). Essas duas afirmações estão em posições diametralmente opostas. O apóstolo afirmou sua submissão à revelada vontade de Deus para sua vida. Uma vez que ele identificou a visão na estrada de Damasco como sendo a voz de Deus, decidiu ser obediente a essa voz e permitir que o Espírito Santo mudasse o curso de sua vida. Sua trajetória foi reprogramada e o perseguidor se tornou perseguido. O grande oponente do cristianismo passou a ser o grande expoente. O feroz acusador do povo de Deus veio a ser um dos seus mais eminentes defensores.

“Profundamente impressionado, Agripa perdeu de vista por um momento o ambiente e a dignidade de sua posição. Tendo apenas consciência das verdades que tinha ouvido, vendo somente o humilde prisioneiro que estava diante dele como embaixador de Deus, respondeu involuntariamente: ‘Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!’. […] Festo, Agripa e Berenice podiam, com justiça, trazer nos pulsos os grilhões que acorrentavam o apóstolo. Eram todos culpados de graves crimes. Esses transgressores tinham ouvido nesse dia a oferta de salvação mediante o nome de Cristo. Um, pelo menos, estivera quase persuadido a aceitar a graça e o perdão oferecidos. Mas Agripa afastou a misericórdia oferecida, recusando-se a aceitar a cruz de um Redentor crucificado. A curiosidade do rei foi satisfeita, e levantando-se deu a entender que a entrevista havia terminado” (Atos dos Apóstolos, p. 438).

Se Agripa quis dizer que Paulo quase o persuadiu a se tornar cristão ou que o apóstolo ofereceu poucos argumentos para o convencer a se tornar cristão, pode não ser o principal ponto de discussão, já que, de uma forma ou de outra, o rei rejeitou a mensagem de salvação que veio graciosamente suprir sua maior necessidade.

Submissão, harmonia e fidelidade à luz que chega até nós: Esse é um sério desafio colocado diante da igreja e de cada cristão. Temos um glorioso conjunto de verdades biblicamente fundamentadas que iluminam nossos passos como indivíduos, família e igreja. Não precisamos errar por falta de orientação profética, pois a temos em abundância. Nosso desafio é viver em harmonia com essa luz. Os exemplos de Paulo e de Agripa representam duas classes de pessoas e de respostas à verdade da Palavra de Deus. Uma delas poderá celebrar e dizer com convicção: “Obedeci à revelação celestial”. A outra terá que declarar: “Quase decidi tornar-me cristão” ou “Foi pouco o que me ofereceram para que me tornasse um cristão”. Ficará demonstrado o seguinte princípio: “Quase salvo, totalmente perdido”!

Dia a dia estamos definindo qual será nossa experiência final.

Quinta, 1º de agosto – Obediência guiada pelo Espírito

Jesus foi obediente até a morte de cruz. Ele foi além do que poderíamos chamar de limite. Não havia limites para Sua fidelidade aos propósitos estabelecidos pela Divindade da qual fazia parte. “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” (Hb 5:8, RC).

Esta é a essência da vida no Espírito: obediência, submissão e fidelidade a Deus e à Sua Palavra. Jesus manifestou a presença do Espírito Santo em Sua vida, não apenas por uma espiritualidade arrebatadora evidenciada por maravilhas e sinais miraculosos, mas mediante uma vida humilde e obediente à soberania de Deus, o Pai, e às orientações do Espírito.

O apóstolo Pedro chama os cristãos da dispersão de “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (1Pe 1:2). O Espírito Santo opera na mente humana convencendo-a “do pecado, e da justiça e do juízo” (Jo 16:8, RC), para a santificação e constante progresso na obediência, isto é, harmonia com a vontade de Deus.
Assim, nós, em cujo coração habita o Espírito, devemos confiar em Deus e fazer o que é certo, crendo que Ele cuidará das consequências de nossa fidelidade. As consequências daquilo que fazemos de maneira correta, segundo a orientação das Escrituras, não são mais problemas nossos, mas de Deus.

Você gostaria de confiar em Deus e ser fiel a toda a Sua vontade revelada? Busque o poder do Espírito Santo e Ele capacitará você, purificando a sua alma, “pela [sua] obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido (1Pe 1:22).

Conclusão

Deus não apenas espera, mas também oferece os recursos para que aqueles que forem cheios do Espírito Santo e experimentarem o genuíno reavivamento, demonstrem isso numa experiência de vida transformada e obediência a Seus mandamentos, porque a verdadeira reforma deve seguir o verdadeiro reavivamento. Por isso, devemos ter cuidado com os falsos movimentos religiosos de reavivamento. Falso reavivamento não é seguido de reforma de vida. Ele não contempla a obediência aos mandamentos de Deus. Falso reavivamento é sentimentalismo, emocionalismo, arroubo e comoção com pretexto religioso sem compromisso com uma vida reta de obediência a Deus.
“Santidade não é arrebatamento: é inteira entrega da vontade a Deus; é viver por toda palavra que sai da boca de Deus; […] é andar pela fé […] é apoiar-se em Deus com indiscutível confiança, descansando em Seu amor” (Atos dos Apóstolos, p. 51).

Se alguém andar em intimidade com Deus, sua vida evidenciará isso tanto no interior como no exterior. O amor de Cristo e o fruto do Espírito fruirão dele mediante palavras e gestos de amor. Os homens verão os efeitos dessa vida transformada e glorificarão o nome de Deus.

Seja essa a sua experiência!

Vídeos Introdução – Esboço da Lição “Reavivamento e Reforma” (aqui).

Esboço da Lição 5 – Obediência: fruto do reavivamento (aqui).

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