Comentário – Lição 11

Reforma: Nova Maneira De Pensar

Autor: Autor:Autor: Evandro Fávero, mestre em Teologia, secretário e departamental de Missão Global na União Sul Brasileira.

Editoração e adaptação: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br 
Revisão: Josiéli Nóbrega

Ampliação

Introdução

Etimologicamente, pensar significa avaliar o peso de alguma coisa. Pensar permite aos seres modelarem o mundo e com isso lidar com ele de uma forma efetiva e de acordo com suas metasplanos e desejos. Segundo estudiosos, o pensamento é considerado a expressão mais “palpável” do ser humano, pois por meio de imagens e ideias revela justamente a vontade deste. Assim, o pensamento/o ato de pensar é base para as ações humanas. A atividade de pensar confere ao homem “asas” para mover-se no mundo e “raízes” para aprofundar-se na verdade.

A grande questão, no entanto, é que vivemos neste mundo em que o mais importante deixou de ser quem você é (caráter), para ser o que você tem. “Viver de aparências”, esse é o dito popular que permeia nossa sociedade e, apesar de sabermos quão ilusório e ineficiente é esse padrão, é custoso nos livrarmos de conceitos como esse. A verdade é que, um dia, teremos que nos deparar conosco e com Deus e teremos que ser verdadeiros. Chega um momento em que é preciso olhar no espelho e encarar quem realmente somos. Então, por que esperar?

Hoje é o único dia que temos, tudo o que devemos ser e fazer que estiver ligado à nossa salvação devemos fazer hoje. Por isso, precisamos repensar nossos pensamentos e viver cada dia segundo o padrão do Céu e não do mundo. “Os maus pensamentos destroem a alma. O poder de Deus para converter muda o coração, enobrece e purifica os pensamentos. A menos que se faça um resoluto esforço por manter os pensamentos centralizados em Cristo, a graça não pode revelar-se na vida. A mente tem que ocupar-se na luta espiritual. Todo pensamento tem que ser levado em cativeiro à obediência de Cristo. Todos os hábitos têm que ser postos sob o controle de Deus” (Carta 123, 1904).

I- A importância da mente

Lendo os livros de Provébios, Eclesiastes e as cartas paulinas, percebemos que a tônica nesses escritos é a mente. Salomão usou a palavra coração para se referir à mente. Já Paulo foi bem mais direto, usando vocábulos como menteespírito, que aparecem aproximadamente 100 vezes nos escritos de ambos. Isso, de certa forma, nos indica como o tema é importante e deve ser considerado pelos cristãos.

Segundo Edwinges Maria Morato, à mente estão ligadas funções cerebrais como o pensamento, a razão, a memória, a intuição, ainteligência e o sentimento. Por isso, o termo também descreve a personalidade (Liguagem e cognição, Edwiges Maria Morato, Plexus Editora, 2002, p. 15).

A mente é o centro de nosso querer e remete às nossas decisões e ao que somos e nos tornamos a cada dia. O que pensamos afeta nossas ações, e nossas ações acabam por definir quem somos.

Quando conhecemos Cristo aprendemos sobre uma nova maneira de viver, sobre pensamentos puros, sobre o amor verdadeiro; somos “despidos” do velho homem e um estilo de vida puro se instala em nosso viver. Aqueles que têm parte com Cristo vivem de maneira diferente da do mundo e suas ações são reflexo do que serve de alimento à sua mente.

Discuta com a classe:

1. O que pensamos determina quem somos. Como esse conceito pode nos ajudar a viver de maneira diferente?

2. Por que é tão importante a renovação de nossa mente diariamente?

3. Quais são as coisas contempladas que me levam a viver longe dos padrões celestiais? Que valor temos dado a isso?

Deus deseja Se comunicar com o homem. Infelizmente, o pecado, nossos pensamentos e ações diárias interrompem Sua ação sobre nós. Por meio do Espírito Santo, Deus fala com Seus filhos. É através da mente que essa comunicação acontece. Quando mantemos limpas as vias de acesso, quando nossos pensamentos são puros e bons e quando lutamos contra o mal que habita em nós, Deus não é apenas honrado, mas é estabelecida eficazmente essa comunicação e todo o nosso viver tem novo sentido e propósito. Nosso pedido diário deve ser: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro” (Sl 51:10), o que ilustra nossa incapacidade, pois essa purificação vem somente de Deus.

II – Salvaguarda da mente

“Conta-se que Mauro sempre estava de bom humor e sempre tinha algo positivo para dizer. Quando alguém lhe perguntava: “Como vai você?”, ele respondia: “Melhor que isso, só dois disso!” Certo dia, alguém lhe perguntou: “Como você consegue ser uma pessoa tão positiva o tempo todo?”Ele respondeu:“Toda manhã eu acordo e digo a mim mesmo: Mauro, hoje você tem duas escolhas: ficar de bom humor ou ficar de mau humor. Então, eu escolho ficar de bom humor. E repito essa decisão o dia inteiro, a cada instante. Se alguém me irrita ou reclama de alguma coisa, seja do jeito certo ou não, eu escolho continuar de bom humor e tentar ver o lado positivo da situação”.“Mas, não é tão fácil assim, Mauro!” “É fácil, sim!”, Mauro respondeu, “a vida consiste de escolhas”.

Por vezes, não percebemos como temos deixado que coisas exteriores afetem o que somos e o que fazemos. Deixamos de pensar no que é agradável e no que nos manterá em sintonia com o Céu.

Escolher é uma das funções de nossa mente. Nossas escolhas determinam quem somos. Paulo diz: “Os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito” (Rm 8:5, Almeida Fiel). Aqueles que estão ligados a Deus buscam dia a dia desenvolver sua natureza espiritual que é assim manifestada: a) por meio da busca do espírito (Rm 8:5); b) busca de vida e paz na alma (Rm 8:6); c) Cumprimento da Lei do Senhor (Rm 8:4). Para sabermos fazer escolhas, no entanto, precisamos do poder do Espírito de Deus que nos é outorgado mediante o estudo da Palavra, oração e prática dos princípios aprendidos.

Para discutir com sua classe:

1. Quais atividades minam nossas capacidades espirituais?

2. Como essas ações se refletem em nossas escolhas diárias?

3. O que posso fazer a fim de obter o poder do Espírito para vencer as tentações diárias?

 

“Cada ato de transgressão, cada negligência ou rejeição da graça de Cristo, recai sobre nós mesmos, endurece o coração, deprava a vontade, entorpece o entendimento, tornando-nos não só menos inclinados a ceder à terna súplica do Santo Espírito de Deus, como também menos capazes de fazê-lo” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 33).

III – Corpo e mente

O famoso provérbio “mente sã, corpo são”, que declara haver uma ligação íntima entre corpo e mente, não é entendido dessa forma por muitos. No mundo secular é comum a ideia de um dualismo, ou seja, uma contradição entre cada uma dessas partes. O conceito remonta a filósofos como Aristóteles e Platão que afirmam que a inteligência do homem (mente) não pode ser assimilada em seu corpo, nem entendida como uma realidade física.

Como cristãos adventistas, tendo a Bíblia como nossa única regra de fé, entendemos que corpo e mente estão intimamente ligados e o que afeta um, certamente afeta o outro.

Em 1 Coríntios 6:18, 19, Paulo exorta os cristãos a fugir da impureza. É interessante lembrar que alguns dentro da comunidade cristã continuavam a visitar prostitutas, sustentando que não eram contaminados pelos comportamentos que envolviam apenas o corpo (influência do dualismo de Platão). Paulo, no entanto, severamente os advertiu, explicando que aquilo que os cristãos fazem com seu corpo os afeta espiritualmente.

Em 1 Tessalonicenses 5:23 Paulo fala de santificação, que é um processo diário realizado por meio do Espírito Santo. Ele se referiu a “espírito, corpo e alma”, pois estava preocupado tanto com a preservação espiritual dos crentes quanto com sua preservação física, deixando claro que ambos estão intimamente relacionados.

Jesus ainda ilustrou essa ideia quando disse aos Seus discípulos: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (Mt 10:28).
Para você discutir com a classe:

1. Quando falamos de pecados, lembramos costumeiramente daqueles que são visíveis a todos: adultério, fornicação, homossexualismo, mentira, roubo, etc. Mas pecado é tudo que nos separa de Deus. Quais são os pecados que precisamos expulsar de nossa vida para que tenhamos um viver espiritual?

Se desejamos desfrutar de saúde plena (Jo 10:10), precisamos cultivar nossa mente e nosso corpo. Precisamos deixar de nos concentrar apenas em uma área, pois isso causaria desequilíbrio. Como cristãos somos chamados a viver uma reforma em nossos pensamentos para que nossas ações sejam também puras e centralizadas no que Cristo faria se estivesse em nosso lugar. Reforma de pensamento significa abandonar tudo que possa minar nossa ligação com o Céu e nos desviar do viver segundo Cristo.

CONCLUSÃO:

“Hoje se sabe que a mente controla o indivíduo em todas as suas ações e tem reforço físico. Na realidade, o cérebro é composto de mais de cem bilhões de neurônios ou células nervosas que se encarregam de transmitir informação, iniciar e manter processos mentais, evocar recordações, processar dados, etc. Qualquer atividade do ser humano põe em funcionamento essas células nervosas” (Julián Melgosa, Mente Positiva, CPB, p. 16).

“A não ser que esse poder convertedor impregne nossas igrejas, a não ser que venha o reavivamento do Espírito de Deus, toda a sua profissão jamais fará que os membros da igreja sejam cristãos. Há pecadores em Sião que precisam arrepender-se de pecados que têm sido acalentados como tesouros preciosos. Enquanto esses pecados não forem vistos e expulsos da alma, enquanto todo traço de caráter defeituoso e desagradável não for transformado pela influência do Espírito, Deus não poderá Se manifestar com poder. Há mais esperança para o pecador declarado, do que para os que aparentam ser justos, mas não são puros, santos e impolutos” (Ellen G. White, E Recebereis Poder, p. 53).


“Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades. Buscá-lo, deve ser nossa primeira ocupação. Importa haver diligente esforço para obter a bênção do Senhor, não porque Deus não esteja disposto a outorgá-la, mas porque nos encontramos necessitados de preparo para recebê-la. Nosso Pai celestial está mais disposto a dar Seu Espírito Santo àqueles que Lhe pedirem, do que pais terrenos o estão a dar boas dádivas a seus filhos. Compete-nos, porém, mediante confissão, humilhação, arrependimento e fervorosa oração, cumprir as condições estabelecidas por Deus em Sua promessa para conceder-nos Sua bênção” (Idem, 285).

Vídeos Introdução – Esboço da Lição “Reavivamento e Reforma” (aqui).

Esboço da Lição 11 – Reforma: nova maneira de pensar(aqui).

 

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