O Poder e Alcance do Testemunho

“Nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa.” Mateus 5:15

A Suprema Corte dos Estados Unidos ordenou, em 1954, que as escolas públicas passassem a incluir alunos negros. Em Nova Orleans, Ruby Bridges, uma garotinha negra de seis anos, foi aceita na Escola William Frantz. Todos os alunos brancos de sua classe deixaram de ir à escola. Apenas Barbara Henry, uma nova professora, concordou em lecionar para Ruby, e as duas se assentavam sozinhas na classe. Ao entrar na escola e sair dela, Ruby enfrentava uma multidão de revoltados, atirando objetos e brandindo punhos para a criança, com insultos e ameaças.

Uma mãe branca chegou a levar uma boneca negra em um caixão. Outra ameaçou envenená-la. Porque a polícia local se negou a oferecer proteção à criança, o governo federal enviou agentes especiais, que escoltavam a menina todos os dias. A pressão do racismo era extrema. Os pais de Ruby eram paupérrimos e iletrados. Em represália, o pai perdeu o emprego como frentista, e as mercearias se negavam a vender mantimentos para eles. A mãe limpava o chão de casas, quando arranjava algum trabalho, e encorajava sua pequena filha a ser forte.

No mesmo ano, Robert Coles, psiquiatra, autor e professor na escola de medicina da Universidade Harvard, que estudava o estresse, decidiu analisar o caso de Ruby. Ele foi para Nova Orleans e entrevistou Ruby e seus pais. Para sua surpresa, não encontrou na garota ou em sua família qualquer sinal de estresse. Coles soube que aquela garotinha parecia conversar com a multidão todos os dias. Ele perguntou a Ruby o que ela dizia. Ela lhe disse que orava por todos. Coles descobriu que Ruby e sua família oravam juntos todas as noites em favor dos manifestantes brancos. Ruby aprendera que Jesus havia orado por Seus inimigos. Ela O imitava.

O doutor Coles não conseguia esquecer aquela criança. Por causa de sua influência, finalmente ele se entregou a Cristo. Ruby, mais tarde, tornou-se uma líder de ação social contra o racismo. Recentemente, ela foi homenageada pelo presidente Barack Obama. Ruby testemunhou para a nação, em várias ocasiões, de sua fé e visão. Uma revista de liderança afirma que “Ruby Bridges agiu como líder e demonstrou o tipo de atitude exemplar”. Mais que isso, Ruby agiu como uma seguidora de Jesus Cristo.

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra.” Mateus 5:5

Em agosto de 1985, a revista Christianity Today publicou o artigo “As Inexplicáveis Orações de Ruby Bridges”, sobre a garotinha negra que desafiou o racismo de Nova Orleans, no início dos anos 1960, como vimos ontem. Frequentando sozinha uma escola de brancos, Ruby diariamente parecia estar conversando com a multidão irada ao entrar na escola e sair dela. Estava, na verdade, orando pelos inimigos. O artigo acrescenta o seguinte subtítulo: “Psiquiatra de Harvard intrigado pela fé revelada por uma menina de seis anos.” Trata-se de uma referência a Robert Coles, psiquiatra que analisou a criança.

Ruby, em sua fé, não permitiu que a multidão que a insultava e a ameaçava, duas vezes por dia, a perturbasse. A imagem daquela pequena garota negra, escoltada por quatro enormes agentes federais brancos, inspirou o famoso cartunista Norman Rockwell a criar um belo quadro que ilustrou a capa da revista Look, em 1964. Charles Burks, um dos agentes, mais tarde comentou que Ruby demonstrava grande coragem. “Nunca chorou ou reclamou”, disse Burks. “Ela apenas marchava como um pequeno soldado.”

Em 1995, o doutor Coles publicou o livro The Story of Ruby Bridges. Barbara Henry, a professora que se assentou por um ano ao lado de Ruby para ensinar-lhe as lições na escola vazia, sob o boicote dos brancos, participou com ela no programa televisivo Oprah Winfrey Show. Ruby começou a ver, então, a necessidade de envolver os pais nas escolas e levá-los a assumir um papel mais ativo na educação das crianças. Em 1999, ela criou a Fundação Ruby Bridges, em Nova Orleans, com o lema: “O racismo é uma doença de adultos, e devemos deixar de usar as crianças para disseminá-la.”

Em 2007, o Museu das Crianças de Indianápolis passou a exibir um documentário sobre Ruby. A história dela terminou com a liberação das escolas para alunos negros e inspirou toda a nação.

O grande paradoxo que Cristo nos relembra é que aqueles que sozinhos, feridos e vulneráveis são tocados pela graça podem demonstrar um tipo de dignidade incompreensível aos que podem ter intelecto, dinheiro e poder, mas não têm acesso a esse mistério. Esse tipo de mistério é o grande embaraço para a mente humana fora de Cristo. Quando perguntada pelo doutor Coles, certa vez, se ela não tinha medo, Ruby respondeu: “Os brancos são muito fortes.” Mas não eram fortes o suficiente para desanimá-la!

Amin Rodor

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Sobre Silvio L. Marcelino

Cristão (Adventista do Sétimo Dia). Tecnólogo em Marketing, Licenciado em História - Atualmente atua como Professor de História.
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