O Evolucionismo Darwinista e Sua Influência Sobre as Ideologias Anti-Cristãs

Quanto ao motivo deste texto, é ele o resultado de uma reflexão. Recentemente em um diálogo, certo amigo afirmou que o Evolucionismo já não é mais um problema para a Fé Cristã, mas seu maior obstáculo hoje seria de fato o Materialismo Filosófico. Em razão disso, seria possível uma aproximação entre as duas correntes de pensamento sem prejuízo para a fé cristã.

Seria de fato isso uma verdade? Minha hipótese é que não. E neste breve ensaio, busco deixar claro que o Materialismo tem sua origem relacionada ao Evolucionismo de Darwin e que o Evolucionismo é com certeza o pilar que sustenta as principais ideologias que desafiam o Cristianismo ortodoxo nos dias de hoje. E também as razões pelas quais não vejo com bons olhos essa dita “conciliação” das duas correntes.

Darwin Está Vivo!

A grande questão é que na atualidade, embora alguns ainda se encontrem de um modo ainda confortável em relação à teoria do Evolucionismo, julgando que sua influência esteja amortecida, é bem verdade que ela ainda se acha bem vigorosa.  Em 2009, por exemplo, quando houve a comemoração do aniversário de 200 anos de Charles Darwin, também veio com isso um renovado interesse pelas suas obras e propostas. Um filme longa foi lançado sobre ele, e sua obra magna sobre a origem das espécies foi promovida a preços especiais. Uma edição de luxo encadernada foi disponibilizada a apenas R$ 19,00 e era possível adquiri-la mesmo em stands de hipermercados.

Assim, depois de longo tempo na ilusão  de que Darwin estava morto, se viu de repente que ele de fato estava muito vivo. Sem falar que na atualidade, Richard Dawkins, um dos docentes de Oxford tem buscado promover um ateísmo reacionário com base no evolucionismo darwinista (há controvérsias, eu sei) e tem conseguido muitos adeptos no mundo da dita “Ciência”.

A Busca de Aproximação

Contudo, eu sei que bem antes da situação atual, já houve também cristãos engajados na busca de um diálogo entre o Evolucionismo e o Criacionismo. Como exemplo, no século 19 cita-se a figura do evangelista  Henry Drumond (1851-1897). Mas penso que Teilhard de Chardin (1881–1955), sacerdote católico do século 20, foi o mais influente de todos, sendo ele o principal responsável pela popularização do Evolucionismo Teísta como doutrina comumente aceita no meio cristão. A teologia de Chardin era uma proposta de que todo Universo estava em processo de evolução convergindo finalmente em seu ponto Ômega. Graças ao Concilio Vaticano II e teólogos como Chardin, o Catolicismo de hoje tem afirmado o Evolucionismo Teísta, depois de haver feito as pazes com Giordano Bruno (pena que tarde demais!).

Dizer que o Evolucionismo Darwinista não é danoso apenas por não negar a existência de Deus não é um argumento consistente. Essa dita abertura é de longa data. Na verdade, o próprio Darwin era Anglicano, e pelo que me consta, nunca negou a existência de Deus, de modo definitivo. De acordo com fontes, em sua biografia, ele se confessou não como um ateu, mas um teísta agnóstico. Alfred Wallace (1823-1913, seu parceiro de pesquisas e promotor do paradigma era um espiritualista agnóstico. O Evolucionismo, ao que parece, nasceu teísta não encontra problema em crer que Deus tenha criado a matéria e a vida e que ela tenha por si só, evoluído.

Mas ainda assim, afirmo sem medo de errar que o Evolucionismo foi a ponte para a popularização das principais correntes de pensamento que na atualidade se constituem os maiores desafios do Cristianismo: o Materialismo Filosófico e o Espiritualismo Científico.

As Influências do Evolucionismo  Sobre as Ideologias

Porque afirmo isso? Porque na verdade, tanto um quanto o outro buscaram estabelecer suas premissas no núcleo do Evolucionismo, que é a doutrina da evolução das espécies. Enquanto um focalizava a evolução do espírito, o outro focalizava a evolução humana com foco no materialismo.  E uma análise rápida demonstra que essas ideologias têm sua origem bem próximas:

1) Os conflitos entre Igreja e Estado na França, com a proclamação do Culto à Razão em 1793 e derrota da Igreja em 1798, com a prisão do Papa Pio VI por Napoleão;

2)  A publicação das primeiras propostas de Darrwin, em um livro anônimo (Vestiges of the Natural History of Creation) em 1844 abriu o caminho para a discussão e aceitação de suas teorias;

3)  A publicação do manifesto comunista de Marx e Engels  em 1848;

4)  A publicação de “O Livro dos Espíritos”, de Kardec, em 1857, promovendo o Espiritualismo na Europa.

5)  A publicação de “On the Origin of Species by Means of Natural Selection“, de Charles Darwin, em 1858.

6)  Publicação de “O Capital“, de Marx em 1867.

O que eu quero dizer é que o Materialismo como “doutrina” de nenhum modo pode ser desagregado de seu “elemento precursor”, que sem medo de errar eu digo ter sido o Evolucionismo. Notemos por exemplo que quando Karl Marx (1818-1883) e F. Engels (1820-1895) lançaram as bases de sua teoria, ela nada mais era que uma aplicação das idéias evolucionistas na esfera social. Inclusive, quando leu “A Origem das Espécies” em 1860, Marx teria ficado entusiasmado com a possibilidade de uma linguagem cientifica para suas conclusões e teria escrito a Darwin em 1873, solicitando que lesse seu manuscrito de “O Capital” e pedindo para si a honra de dedicá-lo a ele, proposta da qual Darwin imediatamente declinou. A idéia de uma luta de classes com ênfase na superação do mais forte em Marx, era tão somente uma adaptação do discurso primordial de Darwin, com sua teoria de seleção das espécies. Para Marx, na disputa pela vida, um grupo (proletariado) precisava se organizar a fim de suplantar o outro (burguesia) e garantir sua sobrevivência. Isso não soa familiar? Daí, afirmar toda a complexidade da “filosofia materialista” foi apenas um passo a mais.

Como uma coisa sempre leva à outra, sabe-se que o culto à razão e a chegada da doutrina evolucionista e do Comunismo fez com que se abrisse um vazio existencial e uma sede de espiritualidade na Europa, que nesse contexto, foi preenchido pela doutrina de Kardec. Ele se apropria da linguagem científica vigente e propõe que não apenas no âmbito material, mas que na vida após a morte haveria também um caminho de evolução para a humanidade, cujo caminho, passava pela caridade. Estava formado o laço entre Evolucionismo, Materialismo e Espiritualismo.

Assim, em pouco mais de 50 anos após a queda do Cristianismo na Europa e a inauguração da doutrina evolucionista, o mundo abria o caminho para as principais ideologias que na atualidade são um desafio para o Cristianismo ortodoxo. Não é à toa que alguém escreveu certa vez que o Evolucionismo foi a obra prima do Diabo (ops! falei a palavra!). O Materialismo e o Espiritualismo em todas as suas facetas poderiam ser apresentados como o clímax da proposta Darwinista, que evidentemente conduz à um paradoxo anti-cristão: Por uma lado se afirma a idéia de que a matéria pode existir por si só e se torna a finalidade última da existência; e por outro se propõe a negação da matéria e se volta para a evolução do “espírito”. Pode-se afirmar que Marx e Kardec estão no topo, mas é a fala de Darwin que os sustenta. Sem a proposta do Evolucionismo, nenhuma dessas duas ideologias posivelmente teriam se firmado na história.

Os Riscos

Concluindo, não nego que deva haver um diálogo (e há diversas formas de fazê-lo sem comprometimento, como expõe Ian G. Barbour – “Quando a Ciência Encontra a Religião“) e não uma satanização do tema. Falar acerca do Evolucionismo e confrontá-lo, debatê-lo à luz da perspectiva bíblica não deveria de nenhum modo ser um “tabu”. Todavia, creio que a busca de conciliação da Teologia Cristã com a teoria evolucionista não se realiza sem que se pague um alto preço. Um lado há de sair perdendo, e a experiência me diz que não é de nenhum modo, o Evolucionismo.

A fé na evolução, mesmo sendo ela Teísta, tende a negar os postulados básicos da História da Salvação e suas conseqüências eternas. Ofusca a resposta para a pergunta básica “Que é o homem?”, negando  a grandeza de sua identidade (imagem de Deus) e relativiza-se o quesito FÉ na leitura da Bíblia. Somente na aceitação pela fé nas narrativa da Criação, da Queda e da Promessa de redenção como se acha em Gênesis 1-11 se descortina a plena beleza do papel da graça soberana de Deus em favor de um mundo caído em sua decadência e morte. Criação, pecado e redenção estão indissoluvelmente unidos ao papel ativo de Deus em restaurar a Sua imagem em seus filhos.

De modo que ainda tenho um pé (senão os dois) atrás diante de uma união de duas propostas que desde seu início sempre deveriam seguir sozinhas …

Fonte: Crendo e Compreendendo

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Sobre Silvio L. Marcelino

Cristão (Adventista do Sétimo Dia). Tecnólogo em Marketing, Licenciado em História - Atualmente atua como Professor de História.
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