Música, Sexo e Drogas Têm Mesmo Efeito no Cérebro

O mesmo sistema químico-cerebral que proporciona as sensações de prazer geradas pelo sexo, as drogas e a comida é essencial para experimentar o prazer gerado pela música, segundo um estudo publicado naquarta-feira (8/02) na revista científica Nature. “Esta é a primeira prova de que os opioides próprios do cérebro estão diretamente envolvidos no prazer musical”, destaca Daniel Levitin, um dos autores do estudo, desenvolvido na Universidade McGill de Montreal, no Canadá. Trabalhos anteriores do especialista e sua equipe chegaram a produzir mapas das áreas do cérebro ativadas pela música, mas só havia sido possível levantar a suspeita de que o sistema opioide era responsável pelo prazer. Para a mais recente experiência, os cientistas bloquearam de maneira seletiva e temporária os opioides do cérebro com a naltrexona, remédio usado habitualmente em tratamentos para a dependência de drogas opiáceas e álcool. Em seguida, eles mediram as reações dos 17 participantes do estudo aos estímulos musicais e constataram que até mesmo as músicas favoritas deixavam de gerar sensações prazerosas. “As impressões que os participantes compartilharam conosco depois do experimento foram fascinantes”, diz Levitin.

Um deles disse que sabia que a canção que acabara de escutar era uma de suas preferidas, mas que não tinha sentido as mesmas sensações de audições anteriores. Outro comentou: “Soa bem, mas não me diz nada.”

Os pesquisadores consideram que os avanços no estudo da origem neuroquímica do prazer são fundamentais para a neurociência, já que muitas atividades prazerosas, como beber álcool e ter relações sexuais, podem causar dependência.

(G1 Notícias)

Nota 1: Fiquei pensando com meus botões… Assim como há alimentos indevidamente estimulantes e a pornografia, que também “sequestra” o cérebro (especialmente dos homens), é possível, igualmente, que haja músicas mais estimulantes/viciantes e que levem o cérebro a um estado emocional não compatível com o culto, por exemplo. Assim como há alimentos inadequados à saúde e sexo impróprio que prejudica o sexo que Deus abençoou (com a pessoa certa, no momento certo e no contexto adequado), pode ser que existam estilos musicais inadequados para quem quer ter uma mente pura e apreciadora das coisas simples. Pelo visto, assim como há “pimenta” que estraga alimentos, a sexualidade e a saúde física e mental, existem também músicas “apimentadas” que deveriam ser deixadas de lado, especialmente em um contexto de louvor e adoração, em que a racionalidade deve dominar sobre a emotividade. É algo para se pensar… [MB]

Nota 2: Segundo Ellen White, “Satanás sabe que órgãos excitar [hiperestimular] para animar, monopolizar e atrair a mente de modo que Cristo não seja desejado. Os anelos espirituais da alma […] ficam por esperar” (O Lar Adventista, p. 407). E mais: “Se trabalharmos para criar excitação do sentimento, teremos tudo quanto queremos, e mais do que possivelmente podemos saber como manejar. […] Importa não considerar nossa obra criar excitação. Unicamente o Espírito de Deus pode criar um entusiasmo são” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 16, 17).

Nota 3: O tema música e adoração frequentemente desperta polêmica em certas igrejas, mas não deveria ser assim. Vontades e preferências pessoais não deveriam estar em primeiro plano. Quando alguém lê um texto ou livro que escrevi e me faz críticas bem fundamentadas, fico grato a essa pessoa e encaro essas críticas como aprendizado e possibilidade de melhorar meu trabalho. Os músicos sacros deveriam agir da mesma forma. É claro que nem sempre é fácil admitir que uma obra de nossa autoria não está adequada. Mas quem disse que, pelo fato de nos especializarmos em certas áreas, seremos sempre os donos da verdade? Meus textos não podem ser melhores? A música que alguns escrevem e compõem também não pode ser melhor? Se fomos dotados por Deus de algum dom, temos o dever sagrado de estudar sobre o assunto e pedir que Ele nos dê discernimento claro a fim de usar esse dom da melhor maneira possível – para Ele, não para nós. No caso da música de adoração, o Ser adorado é quem deve manifestar Sua preferência. Sim, Ele respeita nossos gostos (se adequados) e aceita o que de melhor podemos oferecer, mas podemos e devemos sempre crescer em compreensão e conhecimento, a fim de que o nosso melhor se torne cada vez melhor; cada vez mais próximo do ideal de Deus. Um fenômeno mais ou menos recente e que tem causado preocupação é a chamada “gospelização” da música adventista. Talvez numa tentativa de agradar o gosto popular, alguns músicos estejam exagerando no quesito percussão, carregando demais suas músicas de ritmos fortes e, como visto na pesquisa acima, viciantes. Algo que também poderia ser melhorado são as letras. Algumas músicas (muito bonitas, até) têm se parecido com mantras repetidos à exaustão. A letra se resume a poucas linhas e o que fica de conteúdo teológico é mínimo. Imagine em um tempo de provação ou mesmo na época da perseguição prevista vasculharmos a memória em busca de hinos que nos sustentem a fé e só encontramos músicas com algumas frases de efeito… Precisamos de mais músicas com conteúdo teológico robusto e não meras repetições com melodias emocionais e ritmos estimulantes. E precisamos, também, orar pelos nossos músicos. Eles são tão importantes quanto os pregadores. O ministério deles é indispensável para alcançar a mente e o coração das pessoas. Precisamos apoiá-los, sustentá-los e orar por eles. Escrevo isto com muito carinho, pois eu mesmo fui e tenho sido muito beneficiado pelo ministério musical adventista. Certas músicas marcaram profundamente minha vida e serviram de motivação em momentos especiais. Deus nos ajude a todos, a fim de que, em amor e unidade, possamos sempre fazer o nosso melhor para Ele e para Sua igreja.

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Pesquisador da Verdade

O consultor legislativo da Câmara dos Deputados que descobriu nos livros teológicos uma mensagem que hoje compartilha por meio da literatura.

Muitos dos livros que vêm sendo lidos ultimamente por Manoel Morais, consultor legislativo da Câmara dos Deputados, são obras de referência para pastores e teólogos. Graduado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), o cearense de 41 anos não detém títulos no campo da teologia, mas se considera um pesquisador das Escrituras.

Sua curiosidade pela área cresceu depois que começou a estudar a Bíblia com um professor universitário adventista e um policial civil que conheceu durante um curso de aperfeiçoamento profissional em São Paulo. Embora estivesse interessado em saber mais sobre o adventismo, sua intenção ao se aproximar deles não era de se ­tornar membro de outra denominação. “Ao contrário, eu queria convertê-los à minha fé, pois acreditava que possuía a ‘luz maior’”, conta.

Membro de uma igreja evangélica por mais de uma década, Manoel nutria certo preconceito em relação à Igreja Adventista por entender que a denominação estava equivocada principalmente no que diz respeito ao quarto mandamento. Sua interpretação até aquele momento era que o sábado havia sido abolido na cruz.

Além disso, Manoel questionava o papel profético de Ellen White. Na juventude, chegou a receber um exemplar do livro O Grande Conflito, mas o deixou de lado logo que viu o nome da autora. “Assim como muitos evangélicos, pensava que Ellen White tinha uma autoridade à parte da Bíblia, dizendo coisas com as quais as Escrituras não concordam. Mas, quando a verdade chega, as superstições se diluem”, afirma.

Pesquisador sincero das Escrituras, Manoel mudou de opinião à medida em que novas verdades lhe foram reveladas. De opositor das doutrinas adventistas, passou a defender princípios como a guarda do sábado. Certa vez, propôs a dois colegas da denominação que frequentava que fizessem um teste. Em resposta ao desafio, no sábado seguinte ele visitou a Igreja Central de Brasília e experimentou pela primeira vez como era descansar no sétimo dia.

Na ocasião, uma das pessoas com quem conversou foi José Carlos Moreira, supervisor da livraria da Casa Publicadora Brasileira em Brasília. Dali em diante, Manoel passou a frequentar não somente o templo adventista, mas também a filial da editora. Ali ele adquiriu livros como Questões Sobre Doutrina, Adventismo, Uma Nova Era Segundo as Profecias de Daniel, Respostas a Objeções, Pecado e Salvação e clássicos da escritora Ellen White como O Desejado de Todas as Nações e O Grande Conflito, para citar alguns dos que mais o influenciaram. Além disso, buscou entre os mais de mil títulos oferecidos na loja publicações com um teor mais acadêmico.

Impressionado com a riqueza teológica dos materiais, ele também decidiu presentear amigos com algumas dessas obras. Assim, mesmo antes de ser batizado no dia 28 de janeiro na Igreja Central de Brasília, Manoel Morais se tornou um grande distribuidor de literatura adventista. “Hoje ele é um dos clientes da livraria da CPB na capital nacional que mais compram livros com o objetivo de presentear pessoas”, informa o supervisor da filial. Sua preferência é por livros da pioneira adventista e outros que esclarecem dúvidas doutrinárias. “Montei, por exemplo, um kit contendo O Grande Conflito, O Desejado de Todas as Nações e a obra Crenças Populares. São excelentes livros para presentearmos amigos, familiares e colegas de trabalho”, realça.

Além de representar um perfil de leitor que está mais interessado em materiais com profundidade teológica e sólido embasamento bíblico, Manoel Morais é um exemplo de que a teologia não está ao alcance simplesmente dos teólogos. Ele aconselha outros a fazer o mesmo e ressalta que cavar fundo na Palavra de Deus não somente nos protege dos modismos e deturpações da verdade, mas também abre caminho para que outras pessoas sejam conduzidas a Cristo.

MÁRCIO TONETTI é editor associado da Revista Adventista

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Nem Só De Pão

Edição de fevereiro da Revista Adventista explica o conceito bíblico do jejum.

No mês em que a igreja na América do Sul será incentivada a participar dos 10 Dias de Oração e 10 Horas de Jejum, programa que se estenderá do dia 9 a 18 de fevereiro, a Revista Adventista traz matéria de capa que explica o conceito bíblico do jejum.

Jejuar se tornou um modismo entre alguns segmentos da sociedade, conforme lembra o pastor Marcos De Benedicto, editor-chefe do periódico, no editorial. Segundo ele, as pessoas costumam ficar sem comer para perder peso, eliminar toxinas, baixar o colesterol, melhorar o sistema imunológico ou até mesmo para protestar. “Mas, comparado ao passado, o número dos que jejuam por motivo religioso ainda não é tão grande. Somente nos últimos anos o jejum começou a recuperar um pouco do prestígio que já teve”, observa.

No artigo de capa intitulado “Nem só de pão”, os autores Joseph Kidder, doutor em Ministério e professor da Universidade Andrews (EUA), e Kristy Hodson, que cursa mestrado em Divindade na mesma instituição, defendem que os benefícios do jejum, que vão além dos aspectos físicos e espirituais, precisam ser redescobertos e reivindicados pelos cristãos.

Kidder e Hodson também procuram desconstruir certas ideias equivocadas a respeito do assunto. Para eles, jejum não é coerção nem penitência. De acordo com os autores, não se trata de “uma espécie de fome espiritual que obriga o Senhor a fazer nossa vontade”. Porém, como eles lembram, há pessoas que jejuam como uma forma de punir o corpo por pecar ou para forçá-lo à submissão.

Além de explicar o conceito bíblico dessa prática imemorial, que tem uma longa e reverenciada tradição em muitas religiões, a edição traz dicas de como se preparar para o jejum, o que fazer durante esse período e por quanto tempo jejuar. [Equipe RA, da redação]

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Ivanka Trump Testemunha Sobre o Sábado

Um testemunho sobre a beleza do sábado veio de uma fonte incomum: Ivanka Trump, a filha de 35 anos do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Ela se converteu ao Judaísmo sete anos atrás. “Nós guardamos o sábado”, ela disse. “De sexta-feira ate sábado, nós não fazemos nada além de passar tempo um com o outro.” […] Um dos benefícios da observância do sábado é expresso em algumas frases de Ivanka. […] Quando tinha 27 anos, Ivanka, que cresceu como presbiteriana, converteu-se ao judaísmo em um tribunal rabínico ortodoxo em Nova York. Ela assumiu a observância do Shabat, feriados e kashrut, e adotou o nome hebraico Yael. No inverno passado, Donald Trump disse: “Eu tenho uma filha judia. Isso não estava no plano, mas estou muito feliz por ter acontecido.” [Veja também o que Trump disse em 2013 sobre funcionários seus que guardam o sábado.]

Em 2009, ela se casou com o investidor imobiliário Jared Kushner, de uma família religiosa proeminente de Nova Jersey. O casamento completamente kosher foi grandioso, como convém em um ligamento entre duas lendárias famílias imobiliárias. […] O casamento foi tão generoso quanto glamouroso. Os convidados foram incentivados a contribuir para três organizações de caridade em vez de dar presentes para o casal. A própria Ivanka apoia filantropias judaicas.

Ivanka e o marido são ortodoxos observadores do sábado e de feriados judaicos. Seu pai se acostumou com o fato de que do anoitecer de sexta-feira até o anoitecer de sábado todas as semanas eles ficam inacessíveis por telefone, SMS ou e-mail. Ela se desvincula do mundo dos negócios e está fica por 25 horas, apesar de ser fundamental como vice-presidente executiva nas organizações Trump e ter sido uma importante ativista na campanha presidencial. Isso, além de sua própria joalheria e negócios de moda. Nos sábados, ela deixa de lado todos esses esforços – o Shabat é mais importante. […]

Em março de 2015, o jornalista da Vogue Jonathan van Meter entrevistou Ivanka. Ela explicou aos leitores, em sua maioria não judeus, o que a observância do Shabat significa para ela: “Eu sempre evitava ter conversas públicas, porque é uma coisa tão pessoal […]. Somos muito observadores, mais do que alguns, menos do que outros. Eu só sinto que é uma coisa tão íntima para nós […]. Foi uma decisão tão grande para mim. Eu sou muito moderna, mas também sou uma pessoa muito tradicional, e eu acho que é uma justaposição interessante em como eu fui criada também. Eu realmente acho que com o judaísmo cria-se um plano surpreendente para conectividade familiar.”

“Deixando de lado o aspecto religioso; vivemos em um mundo tão acelerado”, disse Jared.

Ivanka também disse: “É uma coisa incrível quando você está tão conectado, mas realmente para e se desliga. E para Arabella saber que ela tem a mim, indivisível, um dia por semana. Nós não fazemos nada exceto brincar um com o outro, sair um com o outro, ir em caminhadas juntos. Família pura!”

(The Jerusalém Post; tradução: Daniel Miranda)

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Triunfo de Trump em 9/11 equivale a novo 11/9

O espetáculo confuso que os Estados Unidos proporcionam ao mundo neste dia 9/11 produz efeitos tão devastadores quanto aqueles que se seguiram ao ataque de 11/9. Tomada pela radicalidade das mudanças que pode provocar no mundo, a eleição de Donald Trump é equiparável ao histórico ataque terrorista. A diferença é que, dessa vez, os americanos dispensaram o inimigo externo, produzindo um inusitado autoataque – uma espécie de trumpicídio. Se o triunfo de Trump ensina alguma coisa é que todas as premissas sobre as quais o establishment americano construiu os seus valores depois da Segunda Grande Guerra estão com o prazo de validade vencido. O isolamento que a opção por Trump representa é um convite do império para que as nações comecem a planejar um novo começo. Mais ou menos como Deus fez depois do Dilúvio.

O sucesso de Trump é um prêmio à mediocridade. Seu hipernacionalismo ressentido, com traços de xenofobia, racismo, isolacionismo e desprezo à liberdade de expressão são sinais de que o mundo pós-9/11 não será o mesmo. Quando escreverem o enredo da geração atual é do topete de Trump que falarão os historiadores, e não da popularidade de Barack Obama, representado na disputa pelo “mal menor” Hillary Clinton, um outro nome para desastre.

Resta agora saber o seguinte: O recomeço que se esconde sob o penteado exótico de Trump é um prenúncio do quê? Seja o que for, o mundo não será melhor do que já foi. Um presidente dos Estados Unidos que diz não acreditar no aquecimento global [pelos motivos errados] e que guindou à condição de prioridade a construção de um muro na fronteira com o México pode resultar em qualquer coisa, menos em coisa boa.

(Josias de Souza, UOL)

Nota: No texto acima, Josias faz uma breve análise política da eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Hillary apoia o aborto, tem ideias nocivas à família e parece ser contra a religião. Seria também um desastre. Mas, do ponto de vista religioso e escatológico, o que esperar de um indivíduo sem experiência política, ultranacionalista e dado a atitudes impulsivas e politicamente incorretas? O tempo dirá. Temos quatro anos para ver no que vai dar.

Fonte: Criacionismo

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A Reforma Protestante e a União das Igrejas

Papa visita a Suécia para participar de ato ecumênico que celebra a reaproximação de católicos e protestantes


Viagem do papa Francisco para a Suécia a fim de participar do início das comemorações alusivas aos 500 anos da Reforma ganhou repercussão na imprensa internacional.

O dia 31 de outubro de 1517 foi uma data que mudou o mundo ocidental. Um frei alemão chamado Martinho Lutero fixou um cartaz à porta da igreja do castelo de Wittenberg. O anúncio estampava 95 teses contra a venda de indulgências (documento que assegurava o perdão de pecados), uma prática popular da Igreja Católica na época. A cristandade ocidental, até então praticamente monolítica, fragmentou-se. Surgiram centenas de denominações protestantes, cada uma com a pretensão de reformar a Igreja. Hoje, é virtualmente impossível determinar o número exato das seitas cristãs, estimado na casa das dezenas de milhares.

Há um ano de o ato histórico de Lutero completar os 500 anos, passos importantes estão sendo dados para a aproximação de católicos e protestantes. Nesta segunda-feira, o papa Francisco desembarcou em Malmo, na Suécia, país historicamente protestante, em um encontro com a liderança da Federação Luterana Mundial. “Essa viagem é importante porque é uma viagem eclesial, muito eclesial no campo do ecumenismo”, expressou o pontífice durante conversa com os jornalistas que acompanhavam o voo.

Em junho deste ano, a assinatura de um guia litúrgico intitulado “Do conflito à comunhão” revelou o desejo mútuo pelo fim das desavenças históricas e a consumação de uma unidade articulada em décadas de discussão sobre o ecumenismo.

Se bem que o ato ecumênico na Suécia simbolize a iminente conciliação entre luteranos e católicos, há sinais de uma aproximação crescente de outros grupos de protestantes, evangélicos e pentecostais com a Igreja Católica.

As causas que dividiram o cristianismo não estão sendo consideradas em sua reunificação. As motivações do rompimento dos protestantes com os católicos e das denominações protestantes entre si foram doutrinárias. A visível falha do movimento ecumênico consiste em elaborar a unidade cristã sem rever os pontos doutrinários que precipitaram o cisma. Enquanto a volátil e multiforme igreja protestante aceita cada vez mais o discurso conciliador do papa, a igreja romana permanece inabalável sobre os mesmos fundamentos milenares reafirmados na contrarreforma do século 16, as mesmas questões que, para os reformadores, eram inaceitáveis e razão incontestável para o rompimento com a Sé romana.

O grande questionamento protestante era a revisão dos dogmas da Igreja Católica Apostólica Romana à luz da Bíblia. Roma nunca reconsiderou suas posições. Portanto, o protesto de Lutero ainda permanece válido.

A unidade cristã pela qual Jesus orou jamais deve ser conquistada sacrificando a correta interpretação de Sua Palavra. O legítimo ecumenismo deveria acontecer com cada denominação cristã revendo seus concílios, catecismos, credos e suas confissões de fé, rejeitando os pontos em desacordo com as Sagradas Escrituras e acrescentando os preceitos bíblicos negligenciados por séculos.

Curiosamente, a prerrogativa de completar a Reforma Protestante foi assumida por uma denominação cristã surgida no despertamento milenarista do século 19, nos Estados Unidos. Os adventistas do sétimo dia entendem que a Reforma será concluída por meio de seu movimento.

Os adventistas sempre entenderam que sua missão é ecumênica. Diferentemente de outras denominações protestantes, os adventistas não se contentaram em estabelecer igrejas nacionais, ainda que federadas a alianças internacionais, como outros protestantes. A igreja adventista do sétimo dia é, por natureza, mundial, católica, no sentido do significado original da palavra. O nome foi primariamente aplicado à igreja cristã no sentido de que sua missão se estende a todo o planeta. Nesse sentido, a igreja adventista é autenticamente católica, uma vez que entende que sua missão evangélica se destina a alcançar “cada nação, tribo, língua e povo” (Ap 14:6).

No desenvolvimento de suas doutrinas, os adventistas foram mais radicais ainda que quaisquer dos reformadores. Passaram por alto concílios, pais da igreja, credos, catecismos e confissões de fé. Uma vez que entendem que sua missão inclui outros cristãos, católicos e protestantes, podemos entender que os adventistas têm uma proposta autenticamente ecumênica, de reunir os cristãos genuínos em uma unidade doutrinária elaborada conforme a doutrina bíblica purgada de toda tradição humana.

Há muitas divergências doutrinárias que dividem as igrejas cristãs. Posso enumerar algumas das principais crenças em disputa: o significado da ceia do Senhor; a doutrina da salvação e da eleição; a inspiração da Bíblia; a validade dos dons espirituais após o fim da era apostólica; o milênio. Um legítimo ecumenismo deve rever pontos como esses, conciliando os cristãos que se dividiram por causa desses temas em torno de posições genuinamente bíblicas sobre os mesmos.

Desde a Reforma, a presença de Cristo no pão e no vinho tem sido tema de divisões. De um lado, católicos argumentam que, de fato, Cristo se faz pão na missa, a transubstanciação. Luteranos e anglicanos preferem crer na consubstanciação, uma ideia que procura despir a idolatria da missa, sem uma modificação radical do rito. Os calvinistas e evangélicos reduzem a Santa Ceia a mero símbolo. Para alguns, a santa ceia é uma cerimônia exclusivista. Para outros, deve ser uma celebração aberta.

Os adventistas resgataram um rito da ceia do Senhor conforme o preceito bíblico, restaurando o lava-pés, e entendem que, se bem que Cristo não esteja no pão, está presente com os comungantes na celebração da Ceia. A doutrina do Santuário Celestial revela que o sacrifício de Cristo, consumado uma única vez na cruz, não precisa ser repetido por meio da missa. Cristo tem um ministério de intercessão e salvação no Céu, que continua a obra realizada na cruz. O santuário no Céu, no qual Cristo atua, e não a igreja, oficia a verdadeiramente válida intercessão em favor do pecador. Seguindo o exemplo de Jesus, os adventistas praticam a comunhão aberta.

Quanto à doutrina da eleição, os protestantes acham-se divididos entre calvinistas e arminianos. Os primeiros seguem a herança do reformador francês Calvino, que superenfatizou o papel de Deus na salvação, a ponto de dizer que Deus escolhe quem vai ser salvo e rejeita quem vai se perder. Os arminianos consideram a teologia calvinista uma aberração, e entendem que o ser humano seja dotado de livre-arbítrio, sendo responsável por sua própria salvação ou perdição.

Ecumenismo autêntico deve buscar a unidade cristã sem abrir mão de verdades bíblicas fundamentais

Os adventistas parecem ter encontrado o ponto de equilíbrio da doutrina da eleição, coisa que os teólogos protestantes procuram desde o século 17. Embora se incline mais para o lado arminiano, devido à sua ênfase na santificação, o adventista não consegue entender a salvação como possibilidade do livre-arbítrio humano, mas como obra soberana de Cristo. A escritora adventista Ellen G. White, afirmou: “Cristo é a fonte de cada impulso correto. Ele é o único que pode implantar no coração a inimizade contra o pecado” (Caminho a Cristo, p. 26).

O mundo cristão se divide a respeito do conceito que cada pessoa tem de como as Sagradas Escrituras foram produzidas e que autoridade ela tem sobre a Igreja. Há inerrantistas, para os quais cada palavra da Bíblia foi ditada por Deus, e os históricos-críticos, que atribuem uma redação humana à Bíblia, sendo esta, para eles, o produto de uma cultura. Alguns entendem a supremacia da Bíblia, e dizem ser ela a única revelação de Deus, enquanto outros valorizam também a tradição cristã. Os adventistas descobriram que a verdade está num delicado meio-termo. Aceitam a inspiração das Escrituras, mas creem que esta não se deu por ditado. Cada escritor da Bíblia pôde refletir nela seu talento humano, bem como suas limitações. Valorizam a supremacia das Escrituras, sem limitar o Espírito Santo, que continua a fornecer revelações adicionais e complementares por meio de profetas modernos, como Ellen G. White.

Quanto à validade dos carismas, os adventistas também estão em uma posição sugestiva de mediação entre carismáticos e cessacionistas. Os adventistas não podem ser classificados como pentecostais, mas, como eles, creem na vigência dos dons espirituais para todas as eras. Uma posição bíblica que, se acatada por todo o cristianismo, pode ser o equilíbrio entre esses dois grupos.

Finalmente, a interpretação dos eventos finais também tem sido um ponto histórico de discórdia no cristianismo. Há basicamente quatro grandes posições a respeito da ocasião da segunda vinda de Cristo. São elas, amilenarismo, a posição de que o milênio de Apocalipse 20 seja simbólico; o pós-milenarismo, doutrina de que a vinda de Cristo ocorra após o milênio; pré-milenarismo dispensacionalista, posição de que Cristo venha antes do milênio e antes da grande tribulação; pré-milenarismo histórico ou pós-tribulacionista, a doutrina de que Cristo venha antes do milênio e após a grande tribulação.

Os adventistas creem que Cristo virá antes do milênio e após a grande tribulação, e têm feito dessa mensagem sua principal pregação. Essa posição evita os extremos do futurismo e do preterismo proféticos, encontrando o equilíbrio bíblico em um cumprimento histórico dos sinais da segunda vinda de Jesus.

Dessa forma, o adventismo, que é conhecido por evitar associações ecumênicas com outros cristãos, têm sua proposta de um autêntico ecumenismo, concitando todos os cristãos a abandonar suas interpretações particulares e se unirem em torno da Palavra de Deus, cumprindo assim a oração de João 17, na qual Jesus intercedeu pela unidade cristã (“a fim de que todos sejam um”, v. 21), e na qual também disse: “E eles têm guardado a Tua Palavra” (v. 6).

FERNANDO DIAS é pastor e editor da Casa Publicadora Brasileira

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Em Que Candidato Jesus Votaria?

Urna-eletronicaA publicidade é intensa. Todos os veículos de comunicação divulgam nomes de pessoas que pleiteiam uma cadeira no legislativo ou um gabinete no executivo. Algumas delas contam com os amigos para se eleger, outras erguem bandeiras e buscam, entre os simpatizantes da causa que defendem, um voto de confiança e o voto nas urnas, prometendo representá-los, caso sejam eleitos. Num ambiente democrático, o cristão também precisa manifestar sua posição, e deve deixar que seus princípios o conduzam, a fim de honrar a Deus com sua decisão.

A Bíblia é o guia do cristão para as decisões de sua vida. Jesus Cristo é apresentado nela como um exemplo a ser imitado (Ef 5:1; Fp 2:5-9; Hb 12:2, 3). Quem busca cumprir a vontade de Deus consulta as santas Escrituras a fim de encontrar nelas orientação adequada e exemplos para imitação. Para muitas decisões, a Bíblia dá o esclarecimento necessário. Mas, para outras questões, ela aparentemente não tem nada a declarar. Mesmo com respeito àquilo que a Palavra de Deus silencia, o cristão pode dela extrair, com a ajuda do Espírito Santo, princípios e sabedoria para todas as escolhas da vida.

Em que candidato Jesus votaria? Se Ele é o modelo, seu procedimento deve ser exemplo para tudo. E por que não para as preferências eleitorais?

Em 1896, o pastor norte-americano Charles M. Sheldon, da Igreja Congregacional, publicou o livro Em seus passos o que faria Jesus? Nele, Sheldon inventa a história de uma congregação cristã cujos membros procuram, durante um ano, viver o desafio de tomar cada atitude como resposta à pergunta que intitula o livro. Na história criada por Sheldon, os cristãos votam, nas eleições municipais, a favor de candidatos que estampam princípios cristãos e defendem valores morais, que, no contexto da época, abrangia a defesa da proibição do comércio de bebidas alcoólicas e dos jogos de azar.

Na obra, Sheldon tentou responder a uma pergunta difícil. Os personagens de seu livro presumiram os critérios que Jesus teria usado para definir seu voto. Essa é uma preocupação válida para o cristão. No entanto, Jesus Cristo viveu em um momento histórico em que o sistema democrático não existia na forma como o conhecemos hoje. Nascido no auge do Império Romano (Lc 2:1), Jesus viveu sua vida terrena sem ter que votar como nós. E, surpreendentemente, Ele foi mais indiferente à política de seus dias do que querem alguns.

No entanto, em um aspecto Cristo votou. Ele elegeu pessoas, não para cargos públicos, mas para o Reino dos Céus! Ele escolheu doze homens para serem seus apóstolos (Lc 6:13) e para que se assentassem em tronos a fim de serem juízes celestiais (Mt 19:28). Designou mais setenta para que fossem de dois em dois e o precedessem nas cidades aonde ia (Lc 10:1). Mas, acima de tudo, deu o voto que é suficiente para eleger qualquer pecador indigno à condição de herdeiro do Reino de Deus (Ap 21:7).

Jesus votaria em candidatos corruptos? É exigida honestidade e integridade perfeitas para se candidatar ao Reino de Deus (1Co 6:9, 10). No entanto, até mesmo o mais corrompido pecador pode ter a “ficha limpa”, se for lavado, santificado e justificado por Jesus e pelo Espírito Santo (1Co 6:11).

Foi assim que pelo menos dois funcionários públicos com histórico de corrupção, Levi Mateus (Mt 9:9) e Zaqueu (Lc 19:1-10), foram eleitos por Jesus para o Reino. Semelhantemente, Paulo, o “principal dos pecadores” (1Tm 1:15), um homem que esteve envolvido com a prática de tortura, além de prisões e execuções claramente injustas (At 8:3; 26:10, 11), foi “constituído ministro” das coisas que Deus lhe revelou (At 26:16).

Cristo não hesita em confiar os mais importantes cargos de Seu Reino a pessoas com um passado sujo. Pelo contrário, ele expressou sua preferência por pecadores (Mc 2:17). Discursando aos pretensiosos fariseus, que se julgavam dignos de se assentarem nas mais importantes posições do governo de Deus (Mt 23:2), Jesus revelou que pessoas de moral duvidosa precederiam muito candidato honesto no Reino dos Céus (Mt 21:31).

Com seu voto, Jesus quer eleger pessoas que, apesar de seu passado, defeitos e falhas, aceitam ser transformadas por Deus. Ele disse: “Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome” (Jo 15:16, NVI).

Quando Cristo regressar, os eleitos pelo voto de Cristo assumirão um cargo mais elevado que o dos anjos (1Co 6:3): eles se assentarão ao lado de Cristo, em seu próprio trono (Ap 3:21), e “reinarão” com Cristo (Ap 20: 6).

Em qual candidato Jesus vai votar nessas eleições? Ele talvez não tenha muito o que manifestar sobre a política deste mundo, mas para o Reino dos Céus Ele deseja eleger pecadores como você e eu.

Fonte: Revista Adventista

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IASD da Califórnia Transformam Seus Cultos Cm casa de Show

“A igreja passou para o mundo, transgredindo a lei, quando o mundo devia passar para a igreja na obediência da mesma. Diariamente a igreja se está convertendo ao mundo.” Parábolas de Jesus, págs. 315 e 316.

Este vídeo é uma matéria da Rede Tv onde mostra uma igreja adventista que transfonou seus cultos em uma forma de casa de shows para atrais mais jovens.

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Vaticano Propõe Criar Um Governo Mundial Para Enfrentar A Crise Econômica

O Pontifício Conselho do Vaticano “Justiça e Paz”, presidido pelo Cardeal Peter Turkson(foto), propôs a criação de uma autoridade política mundial e um banco central mundial para promover “mercados livres e estável, disciplinado por um quadro jurídico adequado” vs a atual crise financeira e econômica.

Conforme explicado pela Congregação do Vaticano, a Autoridade deve ter um“horizonte global” servir “o bem comum”, embora essa autoridade afirmou que “não pode ser imposta pela força, mas a expressão de consentimento livre e compartilhada” entre os países. “O exercício de tal autoridade deve ser necessariamente super-partes”, disse o comunicado divulgado pela Rádio Vaticano.

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Assim, o Vaticano sublinhou que os governos “não devem servir a autoridade mundial incondicionalmente”, mas ao contrário, essa autoridade  “que deve ser posta ao serviço de todos os países-membros ao abrigo do princípio da subsidiariedade “.

O Vaticano afirmou que o objetivo desta autoridade é “criar mercados eficientes e eficazes que não são protegidos por políticas nacionais paternalista” e “promover uma distribuição eqüitativa da riqueza global” através de “novas formas de solidariedade fiscal global.”

No entanto, o Vaticano afirmou que “ainda há um longo caminho a percorrer antes de criar uma entidade pública com competência universal”, mas ressaltou que vai levar “uma prática anterior do multilateralismo.” Como indicado, a Organização das Nações Unidas seria responsável por criar esta autoridade global.

BANCO CENTRAL GLOBAL

Além disso, a Congregação do Vaticano sublinhou que a economia “precisa de ética para funcionar corretamente”, e também recuperar “o primado do espiritual e ética” e “medidas de tributação das transações financeiras por meio de compartilhamento justo” para contribuir “para a constituição de um estoque global e manter as economias dos países atingidos pela crise.”

Portanto, o Vaticano pediu para proceder à reforma do “sistema monetário internacional” dar vida “a uma forma de controle monetário global” e salientou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) “perdeu sua capacidade de garantir estabilidade financeira global. ”

Assim, a Santa Sé afirmou que uma agência é necessária para desempenhar as funções de “um banco central mundial para regular mudanças no sistema monetário” e regular as atividades de “bancos e finanças.”

Explica a nota da Congregação, a comunidade internacional deve criar um órgão legislativo “e regras mínimas compartilhadas” para gerenciar “o mercado financeiro global.” Com Informações de InforGospel.

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Papas Bento e Francisco Recomendam Livro Sobre Anticristo

Conforme matéria publicada no site católico Aleteia, os papas Bento 16 e Francisco recomendaram a leitura de um livro publicado em 1907, de autoria de Robert Hugh Benson. Segundo o site, trata-se de uma espécie de novela apocalíptica sombria, que pouca atenção recebeu desde sua publicação. Mas isso está mudando, já que o papa Francisco recomendou a leitura desse livro em 2013 e voltou a indicá-lo no ano passado. Francisco resumiu o livro, que no original tem como título Lord of the World, dizendo que ele apresenta uma “globalização da uniformidade hegemônica”. Aleteia lembra que o então cardeal Joseph Ratzinger, depois papa Bento 16, também tinha chamado a atenção, durante um discurso em Milão em 1992, para o universalismo descrito em O Senhor do Mundo.

“O mundo descrito por Benson é estranhamente semelhante ao nosso: sistemas de locomoção e de comunicação rápidos, armas de destruição em massa e uma visão materialista que nega o sobrenatural e cultiva a pretensão de elevar a humanidade ao mais alto nível. De alguma forma, O Senhor do Mundo é mais atual hoje do que quando Benson o escreveu, no início do século 20”, descreve a matéria.

Mas o trecho que mais me chama a atenção no texto do site é este: “A história do livro é da ascensão do anticristo ao poder mundial, primeiro na pessoa do enigmático Julian Felsenburgh, um misterioso senador norte-americano que assume importância mundial ao negociar uma paz global longamente desejada. Toda oposição a Felsenburgh e à ordem mundial que ele guia desaparece: as nações pedem que Felsenburgh seja o seu líder; ele recebe aclamações em massa. Os únicos que se mantêm na oposição são poucos membros da paróquia guiada pelo padre Percy Franklin, que acaba sendo eleito papa Silvestre III e que parece muito semelhante a Felsenburgh.”

A ideia do livro é a de que um mundo que nega o sobrenatural não deixa de ser influenciado por forças sobrenaturais, mas se torna cego a essas influências, perdendo a capacidade de reconhecer “o espírito do anticristo presente no mundo”.

“Um mundo que não consegue reconhecer o sobrenatural, um mundo que tenta elevar a humanidade ao mais alto nível sem Deus é um mundo em que o anticristo pode entrar e agir com mais facilidade”, diz também o texto. No fim, Felsenburgh e o papa Silvestre se encontram numa batalha cataclísmica entre o bem e o mal.

E se o “espírito do anticristo” não estiver presente no “mundo”? Se não se tratar de secularismo, mas, sim, de carisma religioso? E se o anticristo, diferentemente do que apresenta o livro de Benson, não se tratar de uma figura unicamente política, mas for um personagem carismático, religioso, aparentemente tolerante, insuspeito e capaz de unir o mundo com muito mais eficácia do que o fictício Felsenburgh?

A Bíblia é muito clara em descrever o anticristo e apresentar suas características, e ele não tem nada de secular: (1) ele apresenta um “evangelho diferente” (2Co 11:4, 13-15), ou seja, prega dogmas em lugar de doutrinas bíblicas; ensina conceitos pagãos em lugar das verdades do Evangelho; (2) opõe-se a Cristo (por isso “anticristo”), mas quer, na verdade, usurpar o lugar de Cristo, aceitando adoração, assumindo prerrogativas divinas como o poder de perdoar pecados; querendo, inclusive, sentar-se no santuário de Deus (2Ts 2:3, 4). Resumindo, para ser anticristo, essa figura tem que ser contra Cristo, mas se parecer com Ele. E, para ser assim, essa figura obrigatoriamente tem que ser religiosa.

Apontar para o secularismo e para uma enigmática figura política ateia é desviar o foco da verdadeira questão. É, na verdade, uma atitude muito conveniente e até esperada. A semelhança com obras evangélicas como Deixados Para Trás também é evidente, numa valorização da interpretação futurista das profecias apocalípticas, em oposição à visão historicista segundo a qual o anticristo se trata de uma instituição e já age neste planeta há algum tempo.

Sim, é fácil para o diabo agir num mundo que não acredita que ele exista, assim como é fácil para o anticristo agir quando ninguém suspeita de quem ele seja.

Finalmente, um detalhe mais precisa ser destacado: o autor do livro, Robert Hugh Benson, foi um clérigo anglicano que se converteu em sacerdote católico. Portanto, mais um motivo para os papas gostarem dele.

Michelson Borges

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