Deus ou Mamom

Imagem relacionadaDeus, por meio dos Profetas e apóstolos, concedeu ricas instruções para o seu povo, entre as quais está o cuidado com a avareza (Cl 3.5; 2Pe 2.3,14). Aqueles que servem a Deus devem se desviar da ganância (Ex 18.21), pois não é o ideal divino que Seus filhos sejam amantes do dinheiro. Não se pode servir a dois senhores, e isso é demonstrado de forma vívida na narrativa bíblica (1 Sm 8.3). Cristo, quando consultado, deu o seguinte conselho: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui (Lc 12.15).”

Kenneth E. Bailey bem salienta: “No que diz respeito ás coisas materiais, Jesus falou mais sobre dinheiro do que sobre oração. Toda vez que falava de dinheiro, ele fazia isso com o pressuposto de que todas as coisas pertencem a Deus. ‘Do Senhor é a terra e toda a sua plenitude’ (Sl 24.1), escreveu o salmista. Isso significa que o direito à propriedade privada é proibido? Na concepção bíblica, somos mordomos, isto é, administradores, de todos os nossos bens, e responsáveis perante Deus pelo que fazemos com eles.”[i]

O dinheiro pode ser uma benção na mão de um mordomo fiel, mas também pode ser uma maldição quando é usado de forma incorreta ou colocado como a principal prioridade na vida. O apóstolo Paulo bem nos exorta a esse respeito em 1 Timóteo 6.6-10.

A busca por poder aquisitivo é perigosa. Bailey destaca: “Os bens estão ligados a um profundo, e muitas vezes irracional, medo – o medo de um dia não se ter o suficiente. Por mais riqueza que se possa armazenar, esse medo corrosivo pressiona o ser humano frágil a adquirir mais. Nunca há o suficiente, porque a insegurança nunca morre. […] Se Deus é o dono de todas as coisas materiais, e as pessoas são apenas seus administradores, que direitos elas têm aos excedentes que seus desejos quase sempre geram? Entre as famosas reações aos excedentes estão:

  • Escondê-los;
  • Ostentá-los;
  • Gastá-los em caras viagens de férias;
  • Melhorar o estilo de vida e, assim, evaporá-los;
  • Comprar brinquedos caros e contrair dívidas;
  • Comprar mais seguros;
  • Fingir ser pobre e viver mal;
  • Usá-los para adquirir poder”.[ii]

Existem diversos fatores que podem levar um cristão a mergulhar na busca incessante pelo dinheiro. Um deles é a baixa autoestima, como é salientado por Brennan Manning: “Muitos cristãos […] encontram-se derrotados pela mais psicológica das armas que Satanás usa conta eles. Essa arma tem a eficácia de um míssil mortal. Seu nome? Baixa autoestima3”[iii]. Muitos têm buscado nos bens materiais o que não possuem em si mesmos. A busca por popularidade é constante e é o que o “eu/ego” necessita. Satanás é astuto e usa de diversas armas para ludibriar e, assim, levar os mordomos de Deus a pecar contra o Céu.

Diferentemente do pensamento grego e gnóstico, o mundo material é bom na concepção judaico-cristã bíblica. No livro de Gênesis, que registra a criação do mundo, ocorrem cinco vezes a expressão “e viu Deus que era bom”, ou seja, as coisas materiais não são ruins.

Ellen G. White faz significativo comentário sobre a obra que saíra das mãos de Deus:

“‘Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da Sua boca.’ Sal. 33:6 e 9. ‘Porque falou, e tudo se fez; mandou, e logo tudo apareceu.’ ‘Lançou os fundamentos da Terra, para que não vacile em tempo algum.’ Sal. 104:5.

“Quando a Terra saiu das mãos de seu Criador, era extraordinariamente bela. Variada era a sua superfície, contendo montanhas, colinas e planícies, entrecortadas por majestosos rios e formosos lagos; as colinas e montanhas, entretanto, não eram abruptas e escabrosas, tendo em grande quantidade tremendos despenhadeiros e medonhos abismos como hoje elas são; as arestas agudas e ásperas do pétreo arcabouço da terra estavam sepultadas por sob o solo fértil, que por toda parte produzia um pujante crescimento de vegetação. Não havia asquerosos pântanos nem áridos desertos. Graciosos arbustos e delicadas flores saudavam a vista aonde quer que está se volvesse”.[iv]

Sobre essa criação, o homem foi constituído mordomo (Gn 1.26-28). White bem salienta:

“Ele foi posto, como representante de Deus, sobre as ordens inferiores de seres. Estes não podem compreender ou reconhecer a soberania de Deus, todavia foram feitos com capacidade de amar e servir ao homem. Diz o salmista: ‘Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das Tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: … os animais do campo, as aves dos céus, … e tudo o que passa pelas veredas dos mares’. Sal. 8:6-8”.[v]

Dentro desta perspectiva, é fundamental que todo Cristão entenda que Deus é um Deus de amor, que Ele quer o melhor para Seus filhos e que Ele os regatou com Seu próprio sangue.

[i]  Jesus Pela Ótica do Oriente Médio, p. 300.

[ii] Ibid., p. 304.

[iii] O Impostor que Vive em Mim, p. 24.

[iv] Patriarcas e Profetas, p. 44.

[v] Ibid., p. 45.

Sérgio Monteiro

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Adoração Dançante Para um Povo Que Não Dança?

Imagem relacionadaRecentemente recebi e-mail de um irmão músico que se mostrou preocupado com certos tipos de produções musicais que têm se tornado comuns no meio adventista. Antes de entrar no assunto, gostaria de reafirmar que admiro muito os cantores e músicos de nossa igreja; apoio tanto quanto possível o ministério deles e oro por eles, pois reconheço a importância da música juntamente com a pregação da Palavra e outros ministérios importantes da igreja. No entanto, não podemos tapar os olhos – ou os ouvidos – e fazer de conta que não há problemas. Assim como são criticados maus sermões – como os sermões humanistas desprovidos de conteúdo bíblico que de vez em quando são proferidos de nossos púlpitos – ou mesmo um artigo publicado em alguma revista ou um livro com conteúdo duvidoso, entendo que podemos e devemos avaliar a música de louvor que vem sendo produzida por músicos da igreja. E assim como o pregador e o autor de um livro/artigo devem estar abertos a ouvir as críticas e observações e ter maturidade para aprender e crescer com elas, essa deveria ser também a postura dos músicos, afinal, quando o assunto é louvor, minha vontade não deve prevalecer, mas, sim, as balizas providas pela Bíblia e pelos livros de Ellen White (como o ótimo livro Música, da CPB [1]), que contêm princípios mais do que suficientes para reger a boa música adventista de louvor.

O irmão me disse estar muito triste ao ver o crescimento de uma tendência. “Como músico, não consigo definir a maioria das nossas músicas recém-lançadas como além de música gospel-adventista”, define. “Já pedi para colegas não adventistas escutarem essas músicas e darem sua opinião ‘imparcial’; eles sempre definem como um gênero próximo ao pop-rock ou simplesmente música gospel.”

Ele diz que, atualmente, o que lhe preocupa e parece paradoxal é o incentivo à dança presente em muitas músicas. “Tocamos em nossas igrejas estilos musicais dançantes e esperamos que nossos irmãos não dancem, que fiquem apenas no nível auditivo. Mas até quando isso durará? Não estamos criando um paradoxo?”, ele questiona.

Segundo ele, os jovens da igreja não têm tido a oportunidade de conhecer a estética e a maneira de transmitir as verdades bíblicas por meio da música sacra. Para o músico, “as várias estéticas presentes na música sacra das diversas épocas nunca comunicaram a dança; ao contrário, o dançar via de regra sempre esteve ligado à música popular, secular ou profana” – especialmente em nosso tempo e em nossa cultura, os quais devemos, como igreja, sempre levar em consideração.

O irmão que me enviou o e-mail acredita que a próxima questão a ser discutida não será mais sobre o uso da bateria no louvor, mas, sim, se a dança é ou não aceitável para os cristãos em nossa cultura e em nosso tempo, especificamente no Brasil.

Em seguida, ele propôs dois casos fictícios, mas possíveis:

Caso 1: Imagine um homem de cerca de 27 anos, professor universitário, batista, fez seus estudos de piano clássico, fez mestrado em educação musical e doutorado em regência com foco em música sacra. Em certo momento ele conhece a mensagem adventista e decide ser batizado. Ele começa a rever sua vida e sua cosmovisão e inicia em sua vida um processo de santificação com a ajuda do Espírito Santo. Depois disso ele decide dedicar boa parte de seu tempo livre, que é um tempo razoável, a algum projeto da igreja. Ele acharia em nossas igrejas um campo fértil para o ensino da música sacra?

Caso 2: Imagine um homem de cerca de 28 anos, guitarrista de uma grande banda de rock [2], compositor e um músico muito bem realizado que sempre faz masterclass sobre música popular e estilo rock para jovens músicos que pretendem seguir essa carreira. Certo dia ele é apresentado à verdade e decide entregar a vida a Jesus. Depois de batizado, ele decide se santificar e pede também ajuda ao Espírito Santo. Tendo em vista os estilos musicais predominantes e diariamente oferecidos à nossa igreja, e considerando que a música erudita e a estética sacra tradicional, que embora existam em nossas universidades não são apresentada à grande maioria dos membros, qual dos dois músicos encontraria mais rapidamente um campo de atuação?

O músico cita Ariano Suassuna: “O cachorro só come osso porque só lhe damos osso”, para perguntar: “Quem vai gostar de música sacra, se só oferecemos como opção música gospel? Quem deveria divulgar a música sacra, o mundo secular? Como alguém poderia gostar de comida vegetariana se nunca teve a oportunidade de comer uma boa comida feita por vegetarianos?”

Por esse e outros motivos fiquei feliz com a notícia de que o Hinário Adventista passará por uma atualização a fim de ser mais relevante para a atual geração (confira aqui) a notícia). Nele haverá a inclusão de novos hinos e a retirada de hinos em desuso, cujas letras não mais comunicam aos adoradores desta época. Mas o que marcará todas as canções serão as melodias adequadas ao louvor (e não dançantes) e as letras com conteúdo teológico sólido, que ajudarão a fixar verdades eternas na mente dos que as cantarem.

Um dos aspectos mais importantes envolvidos no grande conflito entre o bem e o mal é exatamente a adoração. Por isso, esse assunto deve ser levado muito a sério e ser alvo de nossas mais fervorosas orações. Oremos pela nossa igreja, pelos nossos músicos, pela nossa gravadora, pela comissão do novo hinário e por nós mesmos, a fim de que Deus promova a unidade na diversidade e Se agrade do que Lhe oferecemos em termos de louvor.


Notas do Autor:

Nota 1: Fica terminantemente proibido o uso deste texto para fins de ataque ou de crítica pela crítica. Não foi com esse espírito que ele foi escrito e postado. Amo profundamente minha igreja e nunca fui nem nunca serei adepto do “fogo amigo”. Quero vê-la cumprir seu papel neste mundo perdido e ajudá-la no que me for possível.

Nota 2: “O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhes tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam com cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice” (Charles H. Spurgeon, citado por John F. MacArthur, “Another Word Concerning the Down-Grade”, The Sword and the Trowel [agosto, 1887], p. 398). (voltar ao topo)


Fonte: Blog do Michelson Borges


Notas dos Editores do Música Sacra e Adoração

[1] O livro Música – Sua Influência na Vida do Cristão, uma compilação dos escritos de Ellen G. White sobre o assunto, é extremamente recomendado. Esta obra pode ser lida online ou baixada no formato PDF aqui. Outros livros importantes sobre o assunto podem ser acessados online aqui.

[2] – Para ter acesso a outros artigos acerca do rock e seu impacto na vida cristã, clique aqui.

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Espiritualidade Pós-Moderna

Entenda por que a fé perdeu o vigor e se tornou superficial, apesar de a religiosidade estar em alta.

Nunca o mundo foi tão religioso. Parece que, finalmente, a fé triunfou. Em cada esquina há um templo. E, ao zapear com o controle remoto pelos canais de televisão, é mais fácil encontrar um culto para assistir do que um filme ou uma partida de futebol. Apesar de tanto esforço, nos últimos séculos, para esvaziar a política da religião, os eleitores anseiam cada vez mais que seus representantes pautem suas agendas conforme os preceitos das igrejas.

Vá a uma livraria, mesmo uma livraria secular, e você encontrará muitas Bíblias! O livro mais perseguido e odiado da história não mais precisa ser repassado restritamente nas igrejas, discretamente: é comercializado no balcão principal de uma grande livraria, em todas as cores e tamanhos, onde crentes e descrentes o apalpam e compram, como fazem com os lançamentos de autoajuda ou os romances.

Se há uma geração os cultos eram celebrados em igrejas com algumas dezenas de assentos (bancos de tábua dura), hoje é comum grandes templos para milhares de pessoas (acomodadas em poltronas acolchoadas). Se as ofertas eram moedinhas atiradas na sacola, hoje os cheques (e às vezes o cartão de crédito e a transferência bancária) injetam recursos vultuosos para as igrejas. Os líderes religiosos são figuras carismáticas. Cantores e pregadores atraem multidões que lotam estádios de futebol, mesmo que o privilégio de os ouvir signifique comprar um ingresso. Isso sem falar nos milagreiros, aqueles que surpreendem enormes concentrações com paraplégicos que se erguem da cadeira de rodas e dores nas costas remidas por uma enfática ordem proferida do alto do palanque.

Mas, tudo isso significa que as pessoas estão mais próximas de Deus? Surpreendentemente, a resposta é não! As estrelas da fé levam uma vida frívola cercada de luxo e exposta nas colunas sociais. Os milagres não transformam vidas, não contemplam todas as necessidades do corpo e da alma e não reproduzem as manifestações do poder do Espírito Santo narradas no Novo Testamento. As ofertas são obtidas sob manipulação e dadas com o interesse de o ofertante barganhar Deus e receber em troca mais do que deu, sem qualquer espírito de abnegação ou desejo de fazer prosperar a causa do evangelho. Os políticos religiosos costumam ser tão incoerentes como costumam ser os velhos políticos que nunca vão à igreja. A Bíblia é artigo de decoração, e é mais fácil encontrar a capa da Bíblia combinando com o estilo da vestimenta do que reconhecer seu conteúdo combinando com o estilo de vida de quem costuma carregá-la.

Houve um tempo parecido com estes tempos pós-modernos. Muita religiosidade, mas rara consagração a Deus. O mundo orbitava em torno da fé, mas isso não significava que as pessoas fossem espirituais. A igreja controlava o governo, mas isso nem de longe era uma bênção. Em vez de a idade da fé ser conhecida como idade da luz, foi conhecida como idade das trevas ou a Idade Média. Incomodados com os abusos cometidos em nome da religião nessa época, os historiadores nomearam a era seguinte, marcada por uma incredulidade reacionária, de Idade Moderna, ou Era das Luzes. O modelo de pensamento racionalista e irreligioso da Idade Moderna é chamado de iluminismo.

Mas as verdadeiras luzes da época das luzes não foram os céticos filósofos iluministas. Não se tratam dos nomes estudados nas escolas e resumidos nas enciclopédias, com John Locke (1632-1704), Voltaire (1694-1778), Jean-Jacques Rosseau (1712-1778), Diderot (1713-1784), D’Alambert (1717-1783), Immanuel Kant (1724-1804), David Hume (1711-1775), Adam Smith (1723-1790), Charles Darwin (1809-1882) ou Karl Marx (1818-1883), entre outros. Esses homens sem Deus podem ser valorizados pelos seus ensinamentos, mas as grandes luzes dessa época incrédula foram pessoas que viveram uma religiosidade muito diferente da hipocrisia medieval e da euforia contemporânea com o sagrado.

Um desses homens foi Martinho Lutero (1483-1546), que está sendo redescoberto em 2017 por ocasião dos 500 anos de seu ato de fixar as 95 teses contra a venda de indulgências na porta da igreja do castelo de Wittemberg. Lutero é conhecido por abalar o mundo, mas poucos sabem quanto ele esteve firmado na leitura da Bíblia e na oração. Antes de protagonizar a Reforma Protestante, Lutero já era um entusiasmado leitor das Escrituras, e fazia frequentes palestras sobre a Bíblia. Alguns biógrafos chegam a supor, com boa evidência, que ele conhecia a Bíblia de cor. De fato, Lutero viveu para Deus e Sua Palavra. Conheceu bem as línguas originais, o grego e o hebraico, e delas traduziu toda a Bíblia. Estudava e divulgava a Bíblia, tendo escrito longos comentários de quase todas as suas passagens. E orava muito. Certa vez, ao escrever e meditar sobre o Salmo 23, passou três dias e três noites trancado em um quarto, a pão e água, absorto no Pastor do Salmo 23, até que a esposa chamou um serralheiro para abrir a fechadura. Por mais atarefado que estivesse, nunca orava menos que duas horas por dia.

João Wesley (1703-1791), o grande avivalista metodista do século 18, orava pelo menos duas horas por dia. Ele dizia não confiar no pregador que orasse menos que isso. Durante parte da vida, acostumou-se a jejuar dois dias por semana, e era comum participar de vigílias, além das classes de encontro para oração que marcaram o movimento iniciado por ele. George Whitefield (1714-1770), evangelista que conviveu com Wesley, dividia o dia em três períodos de oito horas cada. Oito para o descanso e as refeições, oito para trabalhar pela salvação dos perdidos e oitos horas por dia para estar com Deus. O resultado de tanta oração foi que Wesley e Whitefield levaram dezenas de milhares de pessoas a Cristo. Isso no mesmo século em que os mais sagazes filósofos do iluminismo tentavam decretar a morte do cristianismo.

No mesmo século 19 em que Darwin e Marx tentaram tirar, respectivamente, Deus da origem e do destino do ser humano, um homem abandonou os sofismas materialistas e naturalistas de seu tempo e se devotou a estudar a Bíblia. Guilherme Miller (1782-1849), ex-adepto das filosofias iluministas, após sua conversão dedicava até seis horas diárias para estar com Deus e estudar a Bíblia. O resultado foi que esse fazendeiro da Nova Inglaterra provocou o despertamento milenarista na América do Norte, que levou multidões a Cristo e antecipou as expectativas de Sua volta para antes do milênio, diferentemente do que ensinava a teologia da época, influenciada pelo racionalismo dos iluministas.

Na modernidade, quando a tendência era o declínio da espiritualidade, houve quem se dedicasse a Deus por meio da oração e do estudo da Bíblia. Essas pessoas inflamaram despertamentos e inspiraram reformas. Hoje, na chamada Era Pós-Moderna, as pessoas são religiosas, mas lhes falta o fervor dos grandes heróis de Deus do passado. A espiritualidade pós-moderna precisa deixar de lado o “fuzuê” e o “oba-oba” dos cultos pirotécnicos e se recolher na câmara de oração, como fizeram os grandes homens e mulheres do passado. A Bíblia tem que deixar de ser simplesmente o adereço da moda. Sua verdade precisa moldar o pensamento e as atitudes de quem professa segui-la.

FERNANDO DIAS é pastor e editor da Casa Publicadora Brasileira

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Inimigo de Todos

Uma vida equilibrada, com o uso harmonioso dos recursos naturais, é, sem dúvida, a melhor arma na luta contra o câncer.

Assim, a humanidade vive sob o risco iminente de um inimigo de todos, que não faz acepção de pessoas, não escolhe raça, credo ou classe social, nem se importa com as opiniões sobre política ou futebol: o câncer. Responsável direto pela morte de mais de 8 milhões de pessoas todos os anos, no mundo todo, o câncer segue como um dos maiores vilões da atualidade. Portanto, estudá-lo, compreendê-lo, preveni-lo, enfrentá-lo e vencê-lo é, sem dúvida, um desafio e uma prioridade.Vivemos em um mundo cada vez mais dividido pela religião, orientação sexual, alimentação, vestuário, política, futebol, muros, etc. Todos divergem em tudo. As pessoas estão perdendo a capacidade de parar, ouvir, refletir e respeitar a opinião alheia. Cada vez mais a intolerância se manifesta nas relações sociais, seja por meio do preconceito ou da violência manifesta em suas variadas formas. Contudo, em momentos de ameaça coletiva ou perigo iminente de morte, mesmo os inimigos se unem contra o mal comum. Os dissidentes se apoiam, as facções se reúnem, os polêmicos se calam. Pois quando o inimigo é mais forte e o risco é para todos, a questão é de sobrevivência.

Ao contrário do que muitos podem imaginar, o câncer não é uma única doença. Na verdade, a palavra “câncer” representa um conjunto de mais de 100 doenças diferentes. Porém, os vários subtipos têm em comum uma característica fundamental: a multiplicação descontrolada, caótica e agressiva de células. Esse processo resulta em um tumor maligno, que se desenvolve e cresce, invadindo os órgãos adjacentes, podendo lançar células para outros lugares do corpo, que vão formar novos tumores. Chamamos isso de metástase.

Portanto, os diferentes tipos de câncer correspondem aos variados tipos de células do corpo. A depender da função e da localização das células originais que formaram o tumor, a doença irá causar diferentes sinais e sintomas, com graus variados de agressividade e tempo de evolução. Também é importante lembrar que existem diversos fatores responsáveis pelas alterações celulares que levam ao desenvolvimento do câncer. As causas externas estão relacionadas ao meio em que a pessoa vive, incluindo seu trabalho, hábitos e estilo de vida, próprios de sua relação social e cultural. Por outro lado, as causas internas são, na maior parte dos casos, de origem genética, e estão ligadas aos aspectos de imunidade (defesa natural do organismo). Todos esses fatores podem interagir de várias formas, aumentando a possibilidade de transformações malignas nas células normais.

Entre todas as formas de câncer, cerca de 80% a 90% estão diretamente relacionados ao estilo de vida e à consequente exposição a fatores ambientais. Alcoolismo, tabagismo, alimentação inadequada (alimentos processados, ricos em gorduras animais, embutidos e defumados), poluição ambiental e agentes químicos (agrotóxicos, derivados do petróleo, amianto), precocidade e promiscuidade sexual, exposição solar em excesso ou o uso indiscriminado de exames radiológicos são exemplos de fatores externos que promovem alterações celulares que induzem a formação de tumores malignos.

Por isso, o Inca (Instituto Nacional do Câncer) recomenda:

“Uma alimentação rica em frutas, legumes, verduras, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, e pobre em alimentos ultraprocessados, como aqueles prontos para consumo ou prontos para aquecer e bebidas açucaradas, podem prevenir de 3 a 4 milhões de casos novos de câncer a cada ano no mundo. Caso a população adotasse uma alimentação saudável e a prática regular de atividade física, mantendo o peso corporal adequado, aproximadamente um em cada três casos dos tipos de câncer mais comuns poderiam ser evitados. Ou seja, para cada 100 pessoas com câncer, 33 casos poderiam ser prevenidos.”

Como sabemos, essas recomendações básicas de saúde já foram prescritas por Deus por meio dos oito remédios naturais: água, ar puro, luz solar (exposição adequada), exercício físico, alimentação saudável, repouso, temperança (uso equilibrado) e confiança em Deus. Como fonte da vida, Ele deseja que vivamos plenamente (Jo 10:10).

Uma vida equilibrada, com o uso harmonioso dos recursos naturais, com atitudes, hábitos e estilo de vida que promovam a adequada relação entre mente, corpo e espírito, é, sem dúvida, a melhor arma contra o câncer e outras doenças que acometem a humanidade.

MARCELLO NIEK LEAL é médico, escritor e coach em medicina e estilo de vida

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Vegetarianismo em Debate

O levantamento mais recente do Ibope sobre o número de vegetarianos no Brasil, divulgado em 2012, mostrou que os adeptos da dieta sem carne já representavam cerca de 8% da população. Apesar da escassez de dados atualizados sobre o vegetarianismo no país, os especialistas acreditam que esse número tenha aumentado.

As motivações para a mudança de hábitos alimentares da população variam. Muitos adeptos do vegetarianismo buscam uma vida mais saudável, outros querem ser mais éticos com os animais e há ainda os que optam por tirar carnes da alimentação porque procuram um planeta mais sustentável. Também há aqueles que deixam de comer carne simplesmente pensando em perder peso.

Os benefícios desse tipo de mudança na alimentação, bem como os mitos sobre o vegetarianismo e os cuidados necessários para manter uma dieta balanceada foram alguns dos temas discutidos nesta quarta-feira (22) no programa JC Debate, veiculado pela TV Cultura. Um dos entrevistados foi o cardiologista Everton Padilha Gomes, que trabalha no Incor (Instituto do Coração).

O médico adventista teve a oportunidade de falar sobre o Estudo Advento, pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) que está avaliando a saúde de 1,4 mil adventistas.

Gomes observou que, embora os dados ainda estejam sendo analisados, os resultados preliminares confirmam a vantagem de ser vegetariano. “Vários marcadores que estão associados às doenças cardiovasculares foram mais favoráveis em pacientes vegetarianos. Isso é algo que chamou muito a atenção e que pode ajudar na saúde preventiva da população em geral”, destacou o coordenador do estudo pioneiro no Brasil.

Everton Padilha Gomes aproveitou para esclarecer que, ao contrário do que alguns imaginam, a dieta vegetariana pode ser praticada não somente por pessoas que tenham condições financeiras privilegiadas. Segundo ele, o próprio Estudo Advento confirma isso, já que 35% dos participantes vegetarianos e ovolactovegetarianos ganham menos de três salários mínimos. “Some-se a isso o fato de algumas dessas pessoas serem vegetarianas há mais de dez anos, o que reforça o fato de que o vegetarianismo é algo acessível para todas as classes”, sublinhou.

[Equipe RA, da Redação]

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Alemanha Leva a Sério o Descanso Dominical

É noite de sábado. As filas são longas, e as estantes dos supermercados já estão quase vazias. Todos correm para garantir que nada vai faltar em casa até segunda-feira. A cena quase apocalíptica é comum na véspera do “dia do silêncio” na Alemanha. O domingo aqui é sagrado e protegido por lei. Quase tudo fica fechado. Supermercados,shoppings e lojas abertos são raríssimas exceções. Por isso, é preciso se planejar. Se você esqueceu de comprar um ingrediente para o almoço de domingo, não tem chance. Vale o improviso ou correr para o restaurante. O domingo poderia ser o dia perfeito da semana para passar o aspirador, cortar a grama do jardim e fazer pequenos reparos em casa, como colocar um prego na parede. Mas, na Alemanha, é proibido. Quem desrespeita o silêncio do vizinho tem que pagar multa. Até jogar garrafas de vidro em contêineres espalhados pelas ruas não é permitido.

O Ruhetag (dia do descanso) é protegido pela lei do trabalho alemã. “Trabalhadores não devem exercer suas atividades aos domingos e feriados das 0h às 24h”, diz o texto. A regra não se aplica a veículos de comunicação, hospitais, espaço de lazer e teatros, que podem funcionar normalmente. Padarias e farmácias entram em esquema de plantão, num sistema de rodízio. Já a maioria dos restaurantes abre como nos outros dias da semana, e muitos oferecem brunch.

Em 2014, o Tribunal Administrativo Federal da Alemanha, em Leipzig, decidiu que bibliotecas, loterias e call centers não devem funcionar aos domingos, em resposta a uma ação movida por igrejas protestantes e o Verdi, sindicato de funcionários do setor de serviços, contra exceções aplicadas a certas categorias no estado de Hesse. O entendimento foi de que as pessoas podem fazer apostas ou pegar livros durante a semana, e que os trabalhadores desses locais precisam ter seu descanso respeitado.

Domingo, definitivamente, não é o dia para riscar tarefas da sua lista. Mas é ideal para acordar tarde, tomar um longo café da manhã e, se o tempo estiver bom, sair para andar pelo parque, passear na floresta e brincar com crianças ao ar livre.

É o dia para estar com a família e os amigos. Quem tem uma avó alemã, provavelmente será convidado para um Kaffee und Kuchen (bolo e café da tarde), seguido de um Spaziergang (passeio).

(DW)


Nota:
Note que foram os protestantes e os sindicatos que “brigaram” pelo descanso dominical na Alemanha. Os primeiros deveriam defender a Bíblia (o princípio protestante sola scriptura), que estabelece o sábado como dia de descanso. E o segundo será uma pedra no sapato dos que querem obedecer a Deus e à Sua Palavra. Quando o decreto dominical for assinado em um futuro próximo, muitos países o acatarão sem maiores dificuldades. Falando nisso, ontem os presidentes e líderes de 27 países da União Europeia (UE) foram até o Vaticano celebrar os 60 anos do Tratado de Roma. Quem discursou para eles e defendeu a união e o combate ao terrorismo? Sim, ele mesmo, o maior defensor do descanso dominical: o papa Francisco.

Fonte: Criacionismo

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Música, Sexo e Drogas Têm Mesmo Efeito no Cérebro

O mesmo sistema químico-cerebral que proporciona as sensações de prazer geradas pelo sexo, as drogas e a comida é essencial para experimentar o prazer gerado pela música, segundo um estudo publicado naquarta-feira (8/02) na revista científica Nature. “Esta é a primeira prova de que os opioides próprios do cérebro estão diretamente envolvidos no prazer musical”, destaca Daniel Levitin, um dos autores do estudo, desenvolvido na Universidade McGill de Montreal, no Canadá. Trabalhos anteriores do especialista e sua equipe chegaram a produzir mapas das áreas do cérebro ativadas pela música, mas só havia sido possível levantar a suspeita de que o sistema opioide era responsável pelo prazer. Para a mais recente experiência, os cientistas bloquearam de maneira seletiva e temporária os opioides do cérebro com a naltrexona, remédio usado habitualmente em tratamentos para a dependência de drogas opiáceas e álcool. Em seguida, eles mediram as reações dos 17 participantes do estudo aos estímulos musicais e constataram que até mesmo as músicas favoritas deixavam de gerar sensações prazerosas. “As impressões que os participantes compartilharam conosco depois do experimento foram fascinantes”, diz Levitin.

Um deles disse que sabia que a canção que acabara de escutar era uma de suas preferidas, mas que não tinha sentido as mesmas sensações de audições anteriores. Outro comentou: “Soa bem, mas não me diz nada.”

Os pesquisadores consideram que os avanços no estudo da origem neuroquímica do prazer são fundamentais para a neurociência, já que muitas atividades prazerosas, como beber álcool e ter relações sexuais, podem causar dependência.

(G1 Notícias)

Nota 1: Fiquei pensando com meus botões… Assim como há alimentos indevidamente estimulantes e a pornografia, que também “sequestra” o cérebro (especialmente dos homens), é possível, igualmente, que haja músicas mais estimulantes/viciantes e que levem o cérebro a um estado emocional não compatível com o culto, por exemplo. Assim como há alimentos inadequados à saúde e sexo impróprio que prejudica o sexo que Deus abençoou (com a pessoa certa, no momento certo e no contexto adequado), pode ser que existam estilos musicais inadequados para quem quer ter uma mente pura e apreciadora das coisas simples. Pelo visto, assim como há “pimenta” que estraga alimentos, a sexualidade e a saúde física e mental, existem também músicas “apimentadas” que deveriam ser deixadas de lado, especialmente em um contexto de louvor e adoração, em que a racionalidade deve dominar sobre a emotividade. É algo para se pensar… [MB]

Nota 2: Segundo Ellen White, “Satanás sabe que órgãos excitar [hiperestimular] para animar, monopolizar e atrair a mente de modo que Cristo não seja desejado. Os anelos espirituais da alma […] ficam por esperar” (O Lar Adventista, p. 407). E mais: “Se trabalharmos para criar excitação do sentimento, teremos tudo quanto queremos, e mais do que possivelmente podemos saber como manejar. […] Importa não considerar nossa obra criar excitação. Unicamente o Espírito de Deus pode criar um entusiasmo são” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 16, 17).

Nota 3: O tema música e adoração frequentemente desperta polêmica em certas igrejas, mas não deveria ser assim. Vontades e preferências pessoais não deveriam estar em primeiro plano. Quando alguém lê um texto ou livro que escrevi e me faz críticas bem fundamentadas, fico grato a essa pessoa e encaro essas críticas como aprendizado e possibilidade de melhorar meu trabalho. Os músicos sacros deveriam agir da mesma forma. É claro que nem sempre é fácil admitir que uma obra de nossa autoria não está adequada. Mas quem disse que, pelo fato de nos especializarmos em certas áreas, seremos sempre os donos da verdade? Meus textos não podem ser melhores? A música que alguns escrevem e compõem também não pode ser melhor? Se fomos dotados por Deus de algum dom, temos o dever sagrado de estudar sobre o assunto e pedir que Ele nos dê discernimento claro a fim de usar esse dom da melhor maneira possível – para Ele, não para nós. No caso da música de adoração, o Ser adorado é quem deve manifestar Sua preferência. Sim, Ele respeita nossos gostos (se adequados) e aceita o que de melhor podemos oferecer, mas podemos e devemos sempre crescer em compreensão e conhecimento, a fim de que o nosso melhor se torne cada vez melhor; cada vez mais próximo do ideal de Deus. Um fenômeno mais ou menos recente e que tem causado preocupação é a chamada “gospelização” da música adventista. Talvez numa tentativa de agradar o gosto popular, alguns músicos estejam exagerando no quesito percussão, carregando demais suas músicas de ritmos fortes e, como visto na pesquisa acima, viciantes. Algo que também poderia ser melhorado são as letras. Algumas músicas (muito bonitas, até) têm se parecido com mantras repetidos à exaustão. A letra se resume a poucas linhas e o que fica de conteúdo teológico é mínimo. Imagine em um tempo de provação ou mesmo na época da perseguição prevista vasculharmos a memória em busca de hinos que nos sustentem a fé e só encontramos músicas com algumas frases de efeito… Precisamos de mais músicas com conteúdo teológico robusto e não meras repetições com melodias emocionais e ritmos estimulantes. E precisamos, também, orar pelos nossos músicos. Eles são tão importantes quanto os pregadores. O ministério deles é indispensável para alcançar a mente e o coração das pessoas. Precisamos apoiá-los, sustentá-los e orar por eles. Escrevo isto com muito carinho, pois eu mesmo fui e tenho sido muito beneficiado pelo ministério musical adventista. Certas músicas marcaram profundamente minha vida e serviram de motivação em momentos especiais. Deus nos ajude a todos, a fim de que, em amor e unidade, possamos sempre fazer o nosso melhor para Ele e para Sua igreja.

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Pesquisador da Verdade

O consultor legislativo da Câmara dos Deputados que descobriu nos livros teológicos uma mensagem que hoje compartilha por meio da literatura.

Muitos dos livros que vêm sendo lidos ultimamente por Manoel Morais, consultor legislativo da Câmara dos Deputados, são obras de referência para pastores e teólogos. Graduado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), o cearense de 41 anos não detém títulos no campo da teologia, mas se considera um pesquisador das Escrituras.

Sua curiosidade pela área cresceu depois que começou a estudar a Bíblia com um professor universitário adventista e um policial civil que conheceu durante um curso de aperfeiçoamento profissional em São Paulo. Embora estivesse interessado em saber mais sobre o adventismo, sua intenção ao se aproximar deles não era de se ­tornar membro de outra denominação. “Ao contrário, eu queria convertê-los à minha fé, pois acreditava que possuía a ‘luz maior’”, conta.

Membro de uma igreja evangélica por mais de uma década, Manoel nutria certo preconceito em relação à Igreja Adventista por entender que a denominação estava equivocada principalmente no que diz respeito ao quarto mandamento. Sua interpretação até aquele momento era que o sábado havia sido abolido na cruz.

Além disso, Manoel questionava o papel profético de Ellen White. Na juventude, chegou a receber um exemplar do livro O Grande Conflito, mas o deixou de lado logo que viu o nome da autora. “Assim como muitos evangélicos, pensava que Ellen White tinha uma autoridade à parte da Bíblia, dizendo coisas com as quais as Escrituras não concordam. Mas, quando a verdade chega, as superstições se diluem”, afirma.

Pesquisador sincero das Escrituras, Manoel mudou de opinião à medida em que novas verdades lhe foram reveladas. De opositor das doutrinas adventistas, passou a defender princípios como a guarda do sábado. Certa vez, propôs a dois colegas da denominação que frequentava que fizessem um teste. Em resposta ao desafio, no sábado seguinte ele visitou a Igreja Central de Brasília e experimentou pela primeira vez como era descansar no sétimo dia.

Na ocasião, uma das pessoas com quem conversou foi José Carlos Moreira, supervisor da livraria da Casa Publicadora Brasileira em Brasília. Dali em diante, Manoel passou a frequentar não somente o templo adventista, mas também a filial da editora. Ali ele adquiriu livros como Questões Sobre Doutrina, Adventismo, Uma Nova Era Segundo as Profecias de Daniel, Respostas a Objeções, Pecado e Salvação e clássicos da escritora Ellen White como O Desejado de Todas as Nações e O Grande Conflito, para citar alguns dos que mais o influenciaram. Além disso, buscou entre os mais de mil títulos oferecidos na loja publicações com um teor mais acadêmico.

Impressionado com a riqueza teológica dos materiais, ele também decidiu presentear amigos com algumas dessas obras. Assim, mesmo antes de ser batizado no dia 28 de janeiro na Igreja Central de Brasília, Manoel Morais se tornou um grande distribuidor de literatura adventista. “Hoje ele é um dos clientes da livraria da CPB na capital nacional que mais compram livros com o objetivo de presentear pessoas”, informa o supervisor da filial. Sua preferência é por livros da pioneira adventista e outros que esclarecem dúvidas doutrinárias. “Montei, por exemplo, um kit contendo O Grande Conflito, O Desejado de Todas as Nações e a obra Crenças Populares. São excelentes livros para presentearmos amigos, familiares e colegas de trabalho”, realça.

Além de representar um perfil de leitor que está mais interessado em materiais com profundidade teológica e sólido embasamento bíblico, Manoel Morais é um exemplo de que a teologia não está ao alcance simplesmente dos teólogos. Ele aconselha outros a fazer o mesmo e ressalta que cavar fundo na Palavra de Deus não somente nos protege dos modismos e deturpações da verdade, mas também abre caminho para que outras pessoas sejam conduzidas a Cristo.

MÁRCIO TONETTI é editor associado da Revista Adventista

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Nem Só De Pão

Edição de fevereiro da Revista Adventista explica o conceito bíblico do jejum.

No mês em que a igreja na América do Sul será incentivada a participar dos 10 Dias de Oração e 10 Horas de Jejum, programa que se estenderá do dia 9 a 18 de fevereiro, a Revista Adventista traz matéria de capa que explica o conceito bíblico do jejum.

Jejuar se tornou um modismo entre alguns segmentos da sociedade, conforme lembra o pastor Marcos De Benedicto, editor-chefe do periódico, no editorial. Segundo ele, as pessoas costumam ficar sem comer para perder peso, eliminar toxinas, baixar o colesterol, melhorar o sistema imunológico ou até mesmo para protestar. “Mas, comparado ao passado, o número dos que jejuam por motivo religioso ainda não é tão grande. Somente nos últimos anos o jejum começou a recuperar um pouco do prestígio que já teve”, observa.

No artigo de capa intitulado “Nem só de pão”, os autores Joseph Kidder, doutor em Ministério e professor da Universidade Andrews (EUA), e Kristy Hodson, que cursa mestrado em Divindade na mesma instituição, defendem que os benefícios do jejum, que vão além dos aspectos físicos e espirituais, precisam ser redescobertos e reivindicados pelos cristãos.

Kidder e Hodson também procuram desconstruir certas ideias equivocadas a respeito do assunto. Para eles, jejum não é coerção nem penitência. De acordo com os autores, não se trata de “uma espécie de fome espiritual que obriga o Senhor a fazer nossa vontade”. Porém, como eles lembram, há pessoas que jejuam como uma forma de punir o corpo por pecar ou para forçá-lo à submissão.

Além de explicar o conceito bíblico dessa prática imemorial, que tem uma longa e reverenciada tradição em muitas religiões, a edição traz dicas de como se preparar para o jejum, o que fazer durante esse período e por quanto tempo jejuar. [Equipe RA, da redação]

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Ivanka Trump Testemunha Sobre o Sábado

Um testemunho sobre a beleza do sábado veio de uma fonte incomum: Ivanka Trump, a filha de 35 anos do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Ela se converteu ao Judaísmo sete anos atrás. “Nós guardamos o sábado”, ela disse. “De sexta-feira ate sábado, nós não fazemos nada além de passar tempo um com o outro.” […] Um dos benefícios da observância do sábado é expresso em algumas frases de Ivanka. […] Quando tinha 27 anos, Ivanka, que cresceu como presbiteriana, converteu-se ao judaísmo em um tribunal rabínico ortodoxo em Nova York. Ela assumiu a observância do Shabat, feriados e kashrut, e adotou o nome hebraico Yael. No inverno passado, Donald Trump disse: “Eu tenho uma filha judia. Isso não estava no plano, mas estou muito feliz por ter acontecido.” [Veja também o que Trump disse em 2013 sobre funcionários seus que guardam o sábado.]

Em 2009, ela se casou com o investidor imobiliário Jared Kushner, de uma família religiosa proeminente de Nova Jersey. O casamento completamente kosher foi grandioso, como convém em um ligamento entre duas lendárias famílias imobiliárias. […] O casamento foi tão generoso quanto glamouroso. Os convidados foram incentivados a contribuir para três organizações de caridade em vez de dar presentes para o casal. A própria Ivanka apoia filantropias judaicas.

Ivanka e o marido são ortodoxos observadores do sábado e de feriados judaicos. Seu pai se acostumou com o fato de que do anoitecer de sexta-feira até o anoitecer de sábado todas as semanas eles ficam inacessíveis por telefone, SMS ou e-mail. Ela se desvincula do mundo dos negócios e está fica por 25 horas, apesar de ser fundamental como vice-presidente executiva nas organizações Trump e ter sido uma importante ativista na campanha presidencial. Isso, além de sua própria joalheria e negócios de moda. Nos sábados, ela deixa de lado todos esses esforços – o Shabat é mais importante. […]

Em março de 2015, o jornalista da Vogue Jonathan van Meter entrevistou Ivanka. Ela explicou aos leitores, em sua maioria não judeus, o que a observância do Shabat significa para ela: “Eu sempre evitava ter conversas públicas, porque é uma coisa tão pessoal […]. Somos muito observadores, mais do que alguns, menos do que outros. Eu só sinto que é uma coisa tão íntima para nós […]. Foi uma decisão tão grande para mim. Eu sou muito moderna, mas também sou uma pessoa muito tradicional, e eu acho que é uma justaposição interessante em como eu fui criada também. Eu realmente acho que com o judaísmo cria-se um plano surpreendente para conectividade familiar.”

“Deixando de lado o aspecto religioso; vivemos em um mundo tão acelerado”, disse Jared.

Ivanka também disse: “É uma coisa incrível quando você está tão conectado, mas realmente para e se desliga. E para Arabella saber que ela tem a mim, indivisível, um dia por semana. Nós não fazemos nada exceto brincar um com o outro, sair um com o outro, ir em caminhadas juntos. Família pura!”

(The Jerusalém Post; tradução: Daniel Miranda)

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