COLECIONE PEQUENAS VITÓRIAS

“O que lavra a sua terra será farto de pão, mas o que corre atrás de coisas vãs é falto de senso”. Prov. 12:11.

Dos 915 versos que tem o livro de Provérbios, 74 tratam, de um modo ou outro, da importância de levar a vida a sério e construir os sonhos sobre fundamentos seguros.

Existe gente derrotada porque “corre atrás de coisas vãs”. No original, a palavra rêqên significa “coisas vazias” ou “fantasias”. A ilustração perfeita seria uma coisa bem adornada e atrativa por fora, mas vazia por dentro, como as bolinhas de sabão atrás das quais as crianças correm entusiasmadas, mas que só trazem frustração porque explodem quando são alcançadas. Existem, mas não existem. Não têm consistência. Nada as sustenta, além da imaginação.

No provérbio de hoje, Salomão parece dizer: “Acorde! Coloque o seu pé no chão. Lavre a terra, sue a camiseta. Não fique na arquibancada da vida torcendo para que tudo aconteça. Entre e participe.”

Deus vai abençoar o que você acha que merece e pelo qual está disposto a lutar. Mas lembre-se: Davi derrotou o gigante Golias, mas usou a funda. A maioria das guerras de Israel foi vencida porque Deus ia à frente do exército, mas o povo precisava sair ao campo de batalha.

Confiar em Deus não significa ficar de braços cruzados, esperando que o sucesso caia do céu. O verdadeiro sucesso não é um grande acontecimento, nem uma única e grande vitória. O sucesso que Deus oferece é composto de pequenas vitórias diárias.

Correr atrás de fantasias, esperar um “golpe de sorte”, ou uma “herança” é falta de senso, loucura, ingenuidade. São as pessoas que agem assim que formam a longa fila dos derrotados.

Faça de hoje um dia de pequenas vitórias. No trabalho, no lar, na vida pessoal; enfim, lavre a sua terra, concerte a torneira que está pingando, troque a lâmpada queimada, conserte o relacionamento destruído. Acumule pequenas vitórias. Não fique sonhando somente com grandes conquistas, porque “o que lavra a sua terra será farto de pão, mas o que corre atrás de coisas vãs é falto de senso”.

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Santificação: Obra de toda a vida


“Esta é a vontade de Deus”, escreve o apóstolo Paulo, “a vossa santificação”. 1 Tessalonicenses 4:3.Em todo o Seu trato com o Seu povo, o objetivo de Deus é a santificação da igreja. Ele os escolheu desde a eternidade, para que fossem santos.Deu-lhes Seu Filho para morrer por eles, a fim de que pudessem ser santificados pela obediência à verdade, despidos de toda a mesquinhez do eu. Deles requer trabalho pessoal e pessoal entrega.Deus só pode ser honrado pelos que professam crer nEle, quando são conformes à Sua imagem e controlados por Seu Espírito. Então, como testemunhas do Salvador, podem tornar conhecido o que a graça divina fez por eles. AA 313.3
A verdadeira santificação vem por meio da operação do princípio do amor. “Deus é amor e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele”. 1 João 4:16. A vida daquele em cujo coração Cristo habitar, revelará a piedade prática. O caráter será purificado, elevado, enobrecido e glorificado. A doutrina pura estará entretecida com as obras de justiça; os preceitos celestiais misturar-se-ão com as práticas santas. AA 313.4
Os que desejam alcançar a bênção da santificação têm de primeiro aprender o que seja a abnegação. A cruz de Cristo é a coluna central sobre que repousa o “peso eterno de glória mui excelente”. 2 Coríntios 4:17. “Se alguém quiser vir após Mim”, disse Jesus, “renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-Me”. Mateus 16:24. É o perfume de nosso amor aos semelhantes o que revela nosso amor a Deus. É a paciência no serviço, o que traz repouso ao coração. É pelo humilde, diligente e fiel labor que se promove o bem-estar de Israel. Deus sustém e fortalece aquele que está disposto a seguir o caminho de Cristo. AA 313.5
A santificação não é obra de um momento, de uma hora, de um dia, mas da vida toda. Não se alcança com um feliz vôo dos sentimentos, mas é o resultado de morrer constantemente para o pecado, e viver constantemente para Cristo. Não se pode corrigir os erros nem apresentar reforma de caráter por meio de esforços débeis e intermitentes. Só podemos vencer mediante longos e perseverantes esforços, severa disciplina e rigoroso conflito. AA 314.1
Não sabemos quão terrível será nossa luta no dia seguinte. Enquanto reinar Satanás, teremos de subjugar o próprio eu e vencer os pecados que nos assaltam; enquanto durar a vida não haverá ocasião de repouso, nenhum ponto a que possamos atingir e dizer: “Alcancei tudo completamente.” A santificação é o resultado de uma obediência que dura a vida toda. Nenhum dos apóstolos e profetas declarou jamais estar sem pecado. Homens que viveram o mais próximo de Deus, que sacrificariam a vida de preferência a cometer conscientemente um ato mau, homens a quem Deus honrou com divina luz e poder, confessaram a pecaminosidade de sua natureza.Eles não puseram a sua confiança na carne, nem alegaram possuir justiça própria, mas confiaram inteiramente na justiça de Cristo. AA 314.2
Assim será com todos que contemplarem a Cristo. Quanto mais nos aproximarmos de Jesus, e quanto mais claramente distinguirmos a pureza de Seu caráter, tanto mais claro veremos a excessiva malignidade do pecado, e tanto menos nutriremos o desejo de nos exaltar. Haverá um contínuo anelo de ir em direção a Deus, uma contínua, sincera, contrita confissão de pecado e humilhação do coração perante Ele. A cada passo para frente em nossa experiência cristã, nosso arrependimento se aprofundará.Saberemos que nossa suficiência está em Cristo unicamente, e faremos nossa a confissão do apóstolo: “Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum”. Romanos 7:18. “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”. Gálatas 6:14.
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Versículo do Dia – Davi se reconverteu

“Então eu te confessei o meu pecado e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a ti, e tu perdoaste todos os meus pecados.” Salmos 32:5


Para Refletir

A transgressão de Davi foi perdoada porque ele humilhou o coração perante Deus em arrependimento e contrição de alma e creu que se cumpriria a promessa do perdão de Deus. Confessou seu pecado, arrependeu-se e se reconverteu. No enlevo da segurança do perdão, exclamou- “Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui iniquidade e em cujo espírito não há dolo”. A bênção vem por causa do perdão; o perdão vem mediante a fé em que o grande Portador de pecados assume o pecado confessado. Todas as nossas bênçãos provêm, assim, de Cristo. Sua morte é o sacrifício expiatório por nossos pecados. É Ele o grande meio por meio do qual recebemos a misericórdia e o favor de Deus. (Cristo Triunfante, pág. 150)

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Versículo do Dia – Tentação de Eva e queda do homem

“Ora, a serpente era mais esperta que todas os animais do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” Genesis 3:1


Para Refletir

Satanás ficou só a fim de aperfeiçoar os planos que seguramente resultariam na queda de Adão e Eva. Estremeceu ao pensar que submergiria o santo e feliz par na miséria e remorso que ele mesmo estava agora suportando. Pareceu indeciso; em alguns momentos firme e determinado, noutros hesitante e vacilante. Seus anjos o procuraram para informá-lo da decisão que haviam tomado. Sim, unir-se-iam a ele e compartilhariam com ele da responsabilidade e das consequências. Satanás lançou para longe seus sentimentos de desespero e fraqueza e, como líder, fortaleceu-se para enfrentar a situação e empreender tudo que estivesse a seu alcance para desafiar a autoridade de Deus e de Seu Filho. Satanás declarou que demonstraria ante os mundos criados por Deus e perante as inteligências celestiais, que é impossível guardar a lei de Deus. Deus reuniu a multidão angélica para tomar medidas e impedir o perigo ameaçador. Ficou decidido no concílio celestial que anjos deviam visitar o Éden e advertir Adão e Eva de que o jardim estava em perigo pela presença de um adversário. Assim, dois anjos apressaram-se em visitar nossos primeiros pais. Os anjos preveniram Eva de que não se separasse de seu marido em suas ocupações, pois poderia ser posta em contato com o inimigo caído. Ao separarem-se um do outro, estariam em maior perigo do que se permanecessem juntos. Os anjos insistiram que eles seguissem bem de perto as instruções dadas por Deus no tocante à árvore do conhecimento, pois na obediência perfeita estariam seguros. E o inimigo caído somente poderia ter acesso a eles junto à árvore do conhecimento do bem e do mal. (A Verdade Sobre os Anjos, pág. 50-52)

Satanás tinha esperanças de ser reintegrado – Seus seguidores foram procurá-lo, e ele, erguendo-se e assumindo um ar de desafio, informou-os de seus planos para arrebatar de Deus o nobre Adão e sua companheira Eva. Se pudesse, de alguma forma, induzi-los à desobediência, Deus faria alguma provisão pela qual pudessem ser perdoados, e então, ele e todos os anjos caídos obteriam um provável meio de partilhar com eles a misericórdia de Deus. (História da Redenção, pág. 27)

Eva: curiosidade fatal – Eva aproximou-se da árvore proibida, sentindo-se curiosa por saber como podia a morte esconder-se no fruto de tão formosa árvore. Surpreendeu-se ao escutar suas próprias dúvidas repetidas por uma voz estranha: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” Gênesis 3:1. Eva não se apercebera de que revelara seus pensamentos ao falar em voz audível consigo mesma, pelo que se assombrou grandemente ao ouvir suas dúvidas repetidas por uma serpente. Com palavras suaves e melodiosas, e com voz musical, [Satanás] dirigiu-se à maravilhada Eva. Ela se sobressaltou ao ouvir uma serpente falar. Esta exaltava a beleza e excessivo encanto [da mulher], o que não desagradou a Eva. Eva sentiu-se encantada, lisonjeada, bajulada. (A Verdade Sobre os Anjos, pág. 53-54)

O conteúdo da primeira frase era verdadeiro – “É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?” Até aí eram verdadeiras as palavras do tentador; na maneira de proferi-las, porem, havia disfarçado desprezo pelas palavras de Deus. Havia encoberta negação, uma dúvida da veracidade divina. Satanás procurara infundir no espírito de Eva a ideia de que Deus não faria aquilo que dissera; que a retenção de tão belo fruto era uma contradição de Seu amor e compaixão para com o homem. (O Desejado de Todas as Nações, pág. 118)

Insinuação sagaz – Participando dessa árvore, declarou ele [Satanás], atingiriam uma esfera mais elevada de existência, e entrariam para um campo mais vasto de saber. Ele próprio havia comido do fruto proibido, e como resultado adquirira o dom da fala. E insinuou que o Senhor intencionalmente desejava privá-los do mesmo, para que não acontecesse serem exaltados à igualdade para com Ele. A curiosidade de Eva despertou-se. Em vez de escapar do local, ficou ouvindo a serpente falar. Não ocorreu à sua mente que este pudesse ser o inimigo decaído, utilizando a serpente como médium. (A Verdade Sobre os Anjos, pág. 55)

Eva ficou encantada – O tentador colheu um fruto e passou-o a Eva. Ela tomou-o nas mãos. Veja, disse o tentador, vocês foram proibidos de até mesmo tocar o fruto, pois morreriam. Ele lhe disse que ela não correria maior perigo comendo-o, do que tocando-o ou manuseando-o. Eva foi encorajada, pois não sentiu de imediato os sinais do desagrado divino. Pensou que as palavras do tentador eram inteiramente sábias e corretas. Comeu, e ficou encantada com o fruto. Este lhe pareceu agradável ao paladar, e ela começou a imaginar como seria sentir em si mesma os maravilhosos efeitos do mesmo. (A Verdade Sobre os Anjos, pág. 56)

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“Cala-te, aquieta-te”

Fora um dia farto de acontecimentos na vida de Jesus. Junto ao Mar da Galiléia, propusera Suas primeiras parábolas, por meio de ilustrações familiares, expondo novamente ao povo a natureza de Seu reino, e a maneira por que devia ser estabelecido. DTN 231.1
Comparara Ele Sua obra à do semeador; o desenvolvimento de Seu reino à semente da mostarda e ao efeito do fermento na medida de farinha. A grande separação final dos justos e os ímpios, descrevera-a nas parábolas do trigo e do joio e da rede de pescar. A inexcedível preciosidade das verdades que ensinava, tinha sido ilustrada pelo tesouro escondido e a pérola de grande preço, ao passo que, na parábola do pai de família, ensinara aos discípulos a maneira de trabalhar como representantes Seus.DTN 231.2
Todo o dia estivera Ele ensinando e curando; e, ao baixar a tarde, ainda as multidões se achavam aglomeradas ao Seu redor. Ajudara dia a dia a essas massas, mal Se detendo para tomar alimento ou ter algum repouso. A crítica perversa e as calúnias com que os fariseus constantemente O perseguiam, tornava-Lhe o trabalho muito mais árduo e fatigante; e agora, o fim do dia O encontrava tão extenuado, que decidiu buscar refúgio em algum lugar solitário, do outro lado do lago.DTN 231.3
A costa oriental de Genesaré não era desabitada, pois havia aldeias aqui e ali à margem do lago; era, no entanto, uma desolada região, em confronto com a parte ocidental. A população aí era mais de pagãos que de judeus, e tinha pouca comunicação com a Galiléia. Oferecia assim o retiro que Ele buscava, e convidando os discípulos, para lá Se dirigiu. DTN 231.4
Tendo despedido a multidão, tomaram-nO eles no barco mesmo “assim como estava”, e afastaram-se rapidamente. Não haviam, porém, de partir sós. Havia outros barquinhos de pesca ali por perto, na praia, os quais se encheram em breve de gente que seguiu a Jesus, ansiosa de vê-Lo e ouvi-Lo ainda. DTN 231.5
O Salvador desafogou-Se enfim do aperto da multidão e, vencido pela fadiga e a fome, deitou-se na popa do barco, adormecendo em seguida. A tarde fora calma e aprazível, e espelhava-se por todo o lago a tranqüilidade; de súbito, porém, sombrias nuvens cobriram o céu, o vento soprou rijo das gargantas das montanhas sobre a costa oriental, rebentando sobre o lago violenta tempestade. DTN 231.6
Pusera-se o Sol, e a escuridão da noite baixou por sobre o tormentoso mar. As ondas, furiosamente açoitadas pelos ululantes ventos, sacudiam com violência o barco dos discípulos, ameaçando submergi-lo.Aqueles intrépidos pescadores haviam passado a vida no lago, e guiado a salvo a embarcação em meio de muita tormenta; agora, porém, sua resistência e habilidade nada valiam. Achavam-se impotentes nas garras da tempestade, e sentiram desampará-los a esperança ao ver o barco a inundar-se. DTN 231.7
Absorvidos nos esforços de se salvar, haviam esquecido a presença de Jesus ali no barco. Enfim, vendo nulos os seus esforços, e nada menos que a morte diante de si, lembraram por ordem de quem haviam empreendido a travessia do lago.Jesus era sua única esperança. Em seu desamparo e desespero, exclamaram: “Mestre, Mestre!” Mas a densa treva O ocultava aos olhos deles. Suas vozes eram abafadas pelo rugido da tempestade, e nenhuma resposta se ouviu. A dúvida e o temor os assaltaram. Havê-los-ia Jesus abandonado? Seria Aquele que vencera a enfermidade e os demônios, e até mesmo a morte, impotente para ajudar os discípulos?Havê-los-ia acaso esquecido em sua aflição? DTN 232.1
E chamaram novamente, mas nenhuma resposta, a não ser o irado uivar do vento. Eis que o barco já vai a afundar. Um momento, e parece que serão tragados pelas revoltosas águas. DTN 232.2
De repente, o clarão de um relâmpago penetra as trevas, e vêem Jesus adormecido, imperturbado pelo tumulto. Surpreendidos, exclamaram em desespero: “Mestre, não se Te dá que pereçamos?” Marcos 4:38. Como pode Ele repousar assim tão serenamente, enquanto se encontram em perigo, lutando contra a morte? DTN 232.3
Seus gritos despertam Jesus. Ao vê-Lo à luz do relâmpago, notam-Lhe no rosto uma celeste paz; lêem-Lhe no olhar o esquecimento de Si mesmo, um terno amor e, corações voltados para Ele, exclamam: “Senhor, salva-nos, que perecemos.” DTN 232.4
Nunca soltou uma alma aquele brado em vão. Ao empunharem os discípulos os remos, tentando um último esforço, ergue-Se Jesus. Está em meio dos discípulos, enquanto a tempestade ruge, as ondas rebentam por sobre eles, e o relâmpago vem iluminar-Lhe o semblante. Ergue a mão, tantas vezes ocupada em atos de misericórdia, e diz ao irado mar: “Cala-te, aquieta-te”. Marcos 4:39. DTN 232.5
Cessa a tormenta. As ondas entram em repouso. As nuvens dispersam-se, e brilham as estrelas. O barco descansa sobre o mar sereno.Volvendo-se então para os discípulos, Jesus pergunta, magoado: “Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé?” DTN 232.6
Os discípulos emudeceram. Nem mesmo Pedro tentou exprimir o assombro que lhe enchia o coração.Os barcos que partiram seguindo a Jesus, achavam-se no mesmo perigo que o dos discípulos. Terror e desespero apoderem-se dos tripulantes; a ordem de Jesus, porém, trouxera sossego à cena de tumulto.A fúria da tempestade levara os barcos a mais próxima vizinhança, e todos os que havia a bordo testemunharam o milagre. Na paz que se seguiu, foi esquecido o temor.O povo segredava entre si: “Que Homem é este, que até os ventos e o mar Lhe obedecem?” DTN 232.7
Quando Jesus foi despertado para enfrentar a tempestade, estava em perfeita paz. Nenhum indício de temor na fisionomia ou olhar, pois receio algum havia em Seu coração.Contudo, não era na posse da força onipotente que Ele descansava. Não era como o “Senhor da Terra, do mar e do Céu” que repousava em sossego.Esse poder, depusera-o Ele, e diz: “Eu não posso de Mim mesmo fazer coisa alguma”. João 5:30. Confiava no poder de Seu Pai. Foi pela fé — no amor e cuidado de Deus — que Jesus repousou, e o poder que impôs silêncio à tempestade, foi o poder de Deus. DTN 233.1
Como Jesus descansou pela fé no cuidado do Pai, assim devemos repousar no de nosso Salvador.Houvessem os discípulos confiado nEle, e ter-se-iam conservado calmos.Seu temor, no tempo do perigo, revelava-lhes a incredulidade. Em seu esforço para se salvarem, esqueceram a Jesus; e foi apenas quando, desesperando de si mesmos, se voltaram para Ele, que os pôde socorrer. DTN 233.2
Quantas vezes se repete em nós a experiência dos discípulos Quando as tempestades das tentações se levantam, e fuzilam os terríveis relâmpagos, e as ondas se avolumam por sobre nossa cabeça, sozinhos combatemos contra a tormenta, esquecendo-nos de que existe Alguém que nos pode valer.Confiamos em nossa própria força até que nos foge a esperança, e vemo-nos quase a perecer. Lembramo-nos então de Jesus, e se O invocarmos para nos salvar, não o faremos em vão. Embora nos reprove magoado a incredulidade e a confiança em nós mesmos, nunca deixa de nos conceder o auxílio de que necessitamos. Seja em terra ou no mar, se, temos no coração o Salvador, nada há a temer. A fé viva no Redentor serena o mar da vida, e Ele nos guardará do perigo pela maneira que sabe ser a melhor. DTN 233.3
Outra lição espiritual há neste milagre de acalmar a tempestade. A vida de todo homem testifica da veracidade das palavras da Escritura: “Os ímpios são como o mar bravo, que se não pode aquietar. […] Os ímpios, diz o meu Deus, não têm paz”. Isaías 57:20, 21. O pecado destruiu-nos a paz. E enquanto o eu não é subjugado, não podemos encontrar repouso. As paixões dominantes do coração, poder algum humano pode sujeitar. Somos aí tão impotentes, quanto os discípulos para acalmar a esbravejante tempestade. Mas Aquele que mandou aquietarem-se as ondas da Galiléia, proferiu para cada alma a palavra de paz. Por mais furiosa que seja a tormenta, os que para Jesus se volverem com o grito: “Senhor, salva-nos”, encontrarão livramento. Sua graça, que reconcilia a alma com Deus, acaba com a luta da paixão humana, e em Seu amor encontra paz o coração. “Faz cessar a tormenta, e acalmam-se as ondas.Então se alegram com a bonança; e Ele assim os leva ao porto desejado”.Salmos 107:29, 30. “Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.” “E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça repouso e segurança, para sempre”. Romanos 5:1; Isaías 32:17. DTN 233.4
De manhã cedo o Salvador e Seus companheiros chegaram à praia, e a luz do Sol nascente banhava a terra como bênção de paz. Mas assim que pisaram a terra, deparou-se-lhes uma cena ainda mais terrível que a fúria da tempestade. De um lugar oculto, entre os sepulcros, dois loucos avançaram sobre eles, como se os quisessem despedaçar. Pendiam-lhes pedaços de cadeias que haviam partido para fugir à prisão. Tinham a carne dilacerada e sangrando nos lugares em que se haviam ferido com pedras agudas. Brilhavam-lhes os olhos por entre os longos e emaranhados cabelos; como que se apagara neles a própria semelhança humana, pela presença dos demônios que os possuíam, parecendo mais feras que criaturas humanas. DTN 234.1
Os discípulos e seus companheiros fugiram aterrorizados; notaram, porém, depois, que Jesus não Se achava com eles, e voltaram em Sua procura. Encontrava-Se onde O tinham deixado. Aquele que acalmara a tempestade, que enfrentara anteriormente a Satanás, vencendo-o, não fugiu em presença desses demônios. Quando os homens, rangendo os dentes e espumando, dEle se aproximaram, Jesus ergueu a mão que acenara às ondas impondo silêncio, e os homens não se puderam aproximar mais. Quedaram furiosos, mas impotentes diante dEle.DTN 234.2
Ordenou com autoridade aos espíritos imundos que saíssem deles.Suas palavras penetraram no espírito entenebrecido dos desventurados.Percebiam, fracamente, estar ali Alguém capaz de salvá-los dos demônios atormentadores. Caíram aos pés do Salvador para O adorar; mas, ao abrirem-se-lhes os lábios para suplicar-Lhe a misericórdia, os demônios falaram por eles, gritando fortemente: “Que tenho eu contigo Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-Te que não me atormentes.” DTN 234.3
Jesus indagou: “Qual é o teu nome?” E a resposta foi: “Legião é o meu nome, porque somos muitos.”Servindo-se dos atormentados homens como meio de comunicação, rogaram a Jesus que os não enviasse para longe daquela região. Sobre uma montanha, não muito distante, pastava grande manada de porcos.Os demônios pediram que se lhes permitisse entrar nos mesmos, e Jesus o consentiu. Da manada subitamente se apoderou o pânico.Precipitaram-se loucamente penhasco abaixo e, incapaz de se deterem ao chegar à praia, imergiram no mar, ali perecendo. DTN 234.4
Enquanto isso, maravilhosa mudança se operara nos possessos.Fizera-se-lhes luz no cérebro.Brilharam-lhes os olhos de inteligência. A fisionomia, por tanto tempo mudada à semelhança de Satanás, tornara-se repentinamente branda, tranqüilas as ensangüentadas mãos, e louvaram alegremente a Deus por sua libertação. DTN 234.5
Dos penhascos, os guardadores dos porcos tudo presenciaram, e correram a contá-lo aos patrões e a todo o povo. Surpreendida e atemorizada, afluía toda a população ao encontro de Jesus. Os dois possessos haviam sido o terror da região. Ninguém se sentia seguro ao passar por onde estavam, pois avançavam em cima de todo viajante com fúria de demônios. Agora, esses homens achavam-se vestidos e em perfeito juízo, sentados junto de Jesus, ouvindo-Lhe as palavras e glorificando o nome dAquele que os curara. Mas o povo que testemunhou essa admirável cena não se regozijou.A perda dos porcos afigurava-se-lhes de maior importância que a libertação desses cativos de Satanás.DTN 235.1
Fora por misericórdia para com os donos desses animais, que Jesus permitira lhes sobreviesse o prejuízo.Achavam-se absorvidos em coisas terrestres, e não se importavam com os grandes interesses da vida espiritual. Cristo desejava quebrar o encanto da indiferença egoísta, a fim de Lhe poderem aceitar a graça. Mas o desgosto e a indignação pela perda temporal cegou-os à misericórdia do Salvador. DTN 235.2
A manifestação do poder sobrenatural despertou as superstições do povo, despertando-lhes os temores. Novas calamidades seguir-se-iam, se conservassem entre si esse Estranho. Suspeitaram de ruína econômica, e decidiram livrar-se de Sua presença. Os que atravessaram o lago com Jesus contaram tudo quanto sucedera na noite anterior; seu perigo na tempestade, e de como o vento e o mar se haviam aquietado. Suas palavras, porém, não produziram efeito. Aterrorizado, o povo aglomerava-se em volta de Jesus, pedindo-Lhe que Se afastasse deles, e concordou, tomando imediatamente o barco para a outra margem. DTN 235.3
O povo de Gergesa tinha diante de si o vivo testemunho do poder e misericórdia de Cristo. Viam os homens a quem fora restituída a razão; mas atemorizavam-se tanto com o risco para seus interesses terrestres, que Aquele que vencera perante seus olhos o príncipe das trevas foi tratado como intruso, e o Dom do Céu despedido de suas portas. Não temos a oportunidade de nos desviar da pessoa de Cristo como aconteceu aos gergesenos; há, porém, ainda muitos que Lhe recusam obedecer a palavra, por isso que a obediência representaria o sacrifício de algum interesse mundano. Para que Sua presença não ocasione perda financeira, rejeitam-Lhe muitos a graça e afugentam de si o Seu Espírito. DTN 235.4
Muito diverso, todavia, foi o sentimento dos restabelecidos endemoninhados. Desejavam a companhia de seu Libertador. Em Sua presença, sentiam-se seguros contra os demônios que lhes haviam atormentado a existência e arruinado a varonilidade. Quando Jesus ia para tomar o barco, mantiveram-se bem perto dEle, ajoelharam-se-Lhe aos pés, e rogaram que os deixasse estar sempre ao Seu lado, para que sempre O pudessem ouvir. Mas Jesus lhes mandou que fossem para casa e contassem quão grandes coisas o Senhor fizera por eles. DTN 235.5
Ali estava para eles uma obra a realizar — ir para um lar pagão, e contar as bênçãos que haviam recebido de Jesus. Foi-lhes duro separar-se do Salvador. Grandes dificuldades os rodeariam, por certo, no convívio com seus patrícios pagãos. E seu longo isolamento da sociedade parecia torná-los inaptos para a obra que Ele lhes indicara.Mas assim que Jesus lhes apontou o dever, prontificaram-se a cumpri-lo.Não somente à sua casa e aos vizinhos falaram acerca de Jesus; mas foram através de Decápolis, declarando por toda parte Seu poder de salvar, e descrevendo como os libertara dos demônios. Assim fazendo, era maior a bênção que recebiam do que se, para seu próprio benefício apenas houvessem permanecido em Sua presença. É em trabalhar para difundir as boas-novas de salvação, que somos levados para perto do Salvador. DTN 236.1
Os dois curados possessos foram os primeiros missionários enviados por Cristo a pregar o evangelho na região de Decápolis. Só por poucos momentos tinham esses homens tido o privilégio de escutar os ensinos de Cristo. Nem um dos sermões de Seus lábios lhes caíra jamais ao ouvido.Não podiam ensinar o povo, como os discípulos, que se achavam diariamente com Cristo, estavam no caso de fazer. Apresentavam, porém, em si mesmos o testemunho de que Jesus era o Messias. Podiam dizer o que sabiam; o que eles próprios tinham visto e ouvido, e experimentado do poder de Cristo. É o que a todo aquele cujo coração foi tocado pela graça de Deus, é dado fazer. João, o discípulo amado, escreveu: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida […] o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos”. 1 João 1:1-3. Como testemunhas de Cristo, cumpre-nos dizer o que sabemos, o que nós mesmos temos visto e ouvido e sentido. Se estivemos a seguir a Jesus passo a passo, havemos de ter qualquer coisa bem positiva a contar acerca da maneira por que nos tem conduzido. Podemos dizer como Lhe temos provado as promessas e as achado fiéis. Podemos dar testemunho do que temos conhecido da graça de Cristo. É esse o testemunho que nosso Senhor pede de nós, e por falta do qual está o mundo a perecer. DTN 236.2
Embora o povo de Gergesa não houvesse recebido a Jesus, Ele não os abandonou às trevas que tinham preferido. Quando lhes pediram que Se afastasse deles, não Lhe tinham ouvido a palavra. Ignoravam o que estavam rejeitando. Portanto, Ele lhes tornou a enviar a luz, e por intermédio daqueles a quem não recusariam ouvir. DTN 236.3
Ocasionando a destruição dos porcos, era desígnio de Satanás desviar o povo do Salvador, e impedir a pregação do evangelho naquela região. Esse próprio acontecimento, no entanto, despertou todo o país como nenhuma outra coisa o poderia ter feito, atraindo a atenção para Cristo.Embora o próprio Salvador partisse, permaneceram os homens curados, como testemunhas de Seu poder. Os que haviam sido instrumentos do príncipe das trevas, tornaram-se condutos de luz, mensageiros do Filho de Deus. Os homens maravilhavam-se ao ouvir as assombrosas novas. Abriu-se naquela região uma porta ao evangelho.Quando Jesus voltou a Decápolis, o povo aglomerou-se ao Seu redor, e durante três dias, não somente os habitantes de uma cidade, mas milhares de toda a região circunvizinha, escutaram a mensagem da salvação. O próprio poder dos demônios está sob o domínio de nosso Salvador, e a operação do mal é sujeitada para o bem. DTN 236.4
O encontro com os endemoninhados de Gergesa foi uma lição para os discípulos. Mostrou as profundezas de degradação a que Satanás está procurando arrastar toda a raça humana e a missão de Cristo, de libertar os homens de seu poder. Aqueles míseros seres, habitando entre os sepulcros, possuídos de demônios, escravizados a desenfreadas paixões e repugnantes concupiscências, representam o que se tornaria a humanidade se fosse abandonada à jurisdição de Satanás. A influência de Satanás é constantemente exercida sobre os homens para perturbar os sentidos, dominar a mente para o mal, incitar à violência e ao crime.Enfraquece o corpo, obscurece o intelecto e corrompe a alma. Sempre que os homens rejeitam o convite do Salvador, estão-se entregando a Satanás. Em todos os estados da vida — no lar, nos negócios e mesmo na igreja — há multidões fazendo assim hoje em dia. É por isso que a violência e o crime se têm alastrado na Terra, e a treva moral, como um sudário, envolve a habitação dos homens. Por meio de suas sedutoras tentações, o maligno conduz os homens a males cada vez piores, até que o resultado seja a depravação e a ruína. A única salvaguarda contra seu poder encontra-se na presença de Jesus. Em face dos homens e dos anjos, foi Satanás revelado como inimigo e destruidor da humanidade; Cristo, como seu amigo e libertador.Seu Espírito desenvolverá no homem tudo quanto enobreça o caráter e dignifique a natureza. Ele edificará o homem para a glória de Deus, tanto no corpo, como na alma e no espírito.“Pois Deus não vos deu o espírito de timidez, mas de força, de amor, e de prudência”. 2 Timóteo 1:7. Ele nos chamou para alcançarmos “a glória” — o caráter — “de nosso Senhor Jesus Cristo”; chamou-nos para ser “conformes à imagem de Seu Filho”.2 Tessalonicenses 2:14; Romanos 8:29. DTN 237.1
E pessoas que têm sido degradadas a instrumentos de Satanás, são ainda, mediante o poder de Cristo, transformadas em mensageiras da justiça, e enviadas pelo Filho de Deus a contar quão “grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti”. DTN 237.2

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Muito Além da Dieta

Entenda quais fatores influenciam sua saúde e como desfrutar de uma vida plena.

imagem artigo Niek

Saúde é resultado do equilíbrio entre as diferentes dimensões que envolvem a vida humana. Assim, do ponto de vista da saúde integral (ou holística) compreendemos que a inter-relação entre corpo, mente e espírito (no sentido de experiência espiritual), resulta na experiência de vida. Dessa forma, tudo que fazemos interage numa complexa relação que define nossa saúde, que, em última instância, é consequência direta do estilo de vida. Por isso, a Igreja Adventista promove um estilo de vida saudável, da maneira mais simples e natural possível, fortalecendo o corpo, renovando a mente e santificando o espírito.

Por equilíbrio podemos entender um estado dinâmico, que se mantém estável, apesar de diferentes forças e influências, tanto positivas como negativas, agirem sobre ele. Isso é muito importante para se compreender que não existe um “padrão” absoluto de saúde que derive de um conjunto de regras, dogmas e imposições restritas e indiscutíveis. Tampouco existem vida e saúde perfeitas. O que há é um estado de satisfação, de interação harmoniosa entre as três dimensões da saúde integral. Apesar de eventuais problemas, o resultado final é uma sensação de bem-estar, de viver bem e de sentido existencial positivo.

Assim, percebemos que nosso estilo de vida e nossa maneira de desenvolver cada uma dessas dimensões interferem diretamente em nosso estado de saúde. Portanto, distribuir as atividades da vida e usar o tempo de maneira equilibrada é fundamental para uma experiência de vida saudável. Essa compreensão correta torna a vida mais leve, interessante, agradável e essencialmente equilibrada.

Contudo, o grande desafio é resgatar essa visão da saúde integral, pois muitas pessoas desenvolveram um conceito equivocado, associando saúde com restrições, proibições, tristeza, críticas e antipatia, em muitos casos priorizando uma das dimensões em detrimento das outras. Precisamos entender que não é assim. Saúde, por exemplo, não está restrita ao alimento, mas é resultado de um estilo de vida que também inclui a alimentação. Assim, você pode comer muito bem, se divertir, ser uma pessoa feliz e agradável, mantendo excelente saúde. Por isso, ao contrário do que alguns vivem, não precisamos comer mal, ingerindo comidas sem sabor e sem graça para ser saudáveis, nem ser fanáticos ou desagradáveis.

Infelizmente, a mídia tem contribuído para distorcer o assunto. Constantemente recebemos uma avalanche de mensagens trocando o certo pelo errado, os hábitos bons pelos maus, o saudável pelo prejudicial. Isso faz parecer que cuidar da saúde não seja uma opção tão atrativa assim, havendo inclusive uma crença disseminada de que “tudo que é gostoso faz mal”.

Porém, o mais importante é conhecer o verdadeiro sentido da mensagem de saúde integral: Saúde é uma experiência pessoal e única de santificação, que gradativamente restaura no ser humano a imagem e semelhança de Deus, tal qual na criação, mesmo que ainda estejamos limitados pelo pecado neste mundo. Quando entendemos isso, nossos olhos se abrem de tal maneira que passamos a enxergar todos os aspectos de nossa vida de maneira diferente, tridimensional e integralmente: mente, corpo e espírito. Assim, permitimos que Deus efetue em nós tanto o querer como o realizar (Fp 2:13), e, de fato, experimentamos qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12:2).

Desse modo, o primeiro passo para uma boa saúde é entender que nossa saúde é reflexo dos hábitos que cultivamos e que, por sua vez, eles refletem nossa mente. Assim, se gastarmos tempo pensando em coisas boas, teremos hábitos bons (Pv 23:7) e para cada hábito bom que cultivarmos, ganharemos força e interesse para mais hábitos saudáveis e a construção de uma boa saúde física, mental e espiritual.

Os conselhos de Deus são claros. Ele pede que pensemos nas coisas eternas (Cl 3:2) e que todas as nossas ações sejam para a glória de Deus (1Co 10:31).

Um feliz ano-novo com muita saúde!

MARCELLO NIEK LEAL é médico e coach em medicina e estilo de vida

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Bebidas Alcoólicas: Uma Abordagem Bíblica

O que a Bíblia diz sobre o consumo de vinho e outras bebidas alcoólicas?

A Igreja Adventista do Sétimo dia mantém em seu corpo doutrinário, há mais de cem anos, o ensinamento bíblico de que nosso corpo é o santuário do Espírito Santo (1Co 6:19, 20). Uma vez que o corpo é propriedade do Senhor, somos Seus mordomos nesse sentido – além de administrarmos para honra dEle diversos outros aspectos da nossa vida, tais como as posses materiais, que também Lhe pertencem.  Temos, portanto, diante do Senhor, a responsabilidade de cuidar da manutenção de nossa saúde a fim de poder servi-Lo melhor, ser mais felizes neste mundo e inspirar nossos semelhantes a agir na mesma direção para obtenção dos mesmos benefícios.

Fundamentados no conceito de mordomia do corpo, os adventistas pregam desde seus primórdios a completa abstenção de bebidas alcoólicas, crendo encontrar respaldo na Bíblia para identificar nesse procedimento um dos requisitos de Deus para o estilo de vida cristão. São chamadas de alcoólicas as bebidas cuja produção envolve fermentação de açúcares contidos, entre outros, em frutas e cereais. O vinho, a sidra e a cerveja, resultantes, respectivamente, da fermentação do suco de uva, do suco de maçã e da cevada, são apenas alguns exemplos. Hoje também existem as bebidas alcoólicas obtidas pelo processo de destilação, possuindo em geral teor alcoólico mais acentuado. Até os dias atuais, o compromisso de não ingerir bebidas alcoólicas – independentemente do gênero – é um dos itens que compõem o voto público que o futuro membro realiza por ocasião do seu batismo na Igreja Adventista.

Ocorre que muitos adventistas têm decidido ignorar o compromisso assumido nessa cerimônia, continuando (ou, em algum momento, passando) a inserir bebidas alcoólicas em seu cardápio eventual. Esses membros – cuja espiritualidade e sinceridade sem dúvida não podem nem devem aqui ser questionadas – argumentam que o fato de não haver em nenhum livro da Bíblia uma ordem direta da parte de Deus para que Seu povo como um todo se abstenha completamente do uso de vinho fermentado e de outras bebidas alcoólicas significa que Ele aprova esse uso, desde que moderado. Para eles, o que Deus repudia é, especificamente, o estado de embriaguez. Há, inclusive, por parte de alguns, uma concepção equivocada de que o vinho fermentado ocupa, na Bíblia, um patamar diferenciado daquele ao qual pertencem as bebidas alcoólicas obtidas de outras fontes.

Uma vez que essa atitude obviamente entra em conflito com um padrão de estilo de vida absolutamente consagrado por mais de um século de história do adventismo – consistindo, inclusive, em uma das marcas pelas quais o movimento vem chamando a atenção do mundo no decorrer desse tempo –, o autor destas linhas acredita que sérias considerações precisam ser feitas antes que se tome como correta a conclusão de que Deus permite o uso moderado de bebidas alcoólicas. O ensaio abaixo, sem a pretensão de esgotar de forma cabal o assunto, reúne o maior número de considerações que o autor julgou relevantes, argumentando com base, em primeiro lugar, nas Escrituras, e, por fim, nos escritos de Ellen G. White.

Aprovação ou tolerância de Deus?

Realmente, não há na Bíblia uma ordem divina proibitiva direta para a igreja abster-se totalmente das bebidas alcoólicas. Assim como também não há uma ordem direta da parte de Deus proibindo que os homens escravizem seu próximo, prática que ainda era presente entre cristãos nos tempos apostólicos (ver, por exemplo, a carta de Paulo a Filemom) e que persistiu por muitos séculos depois. Ninguém hoje em dia concordaria com o pensamento de que Deus aprova a escravatura, e, no entanto, em nenhuma parte da Bíblia existe uma proibição divina direta para ela. Sabemos que essa prática é ofensiva aos olhos de Deus porque conhecemos e prezamos os conceitos de graça, amor, respeito, justiça e fraternidade que a Palavra de Deus nos apresenta.

Por que, então, Deus parece haver aprovado a escravidão, especialmente nos tempos do Antigo Testamento? Havia, inclusive, dispositivos legais no código dado por Deus a Moisés que regularizavam o trato dos senhores com seus escravos (ver, por exemplo, Êx 21:16, 20). Outra pergunta semelhante diz respeito ao casamento. Se o Novo Testamento é tão taxativo quanto ao casamento monogâmico (com um parceiro apenas), por que Deus permitiu a prática da poligamia e do divórcio no passado (da mesma forma, com leis específicas regularizando o assunto no código mosaico)? A resposta foi dada por Jesus aos fariseus: “Por causa da dureza do vosso coração […]; entretanto, não foi assim desde o princípio” (Mt 19:8).

A partir dessa importante afirmação feita por Cristo, conclui-se que Deus não deve ser visto como aprovando aquilo que Ele apenas tolerou temporariamente por causa da tremenda ignorância que motivava coletivamente a prática errônea. Muitos fariseus e outros homens judeus do primeiro século aproveitavam-se da brecha encontrada na lei para repudiar suas mulheres e casarem-se novamente com mulheres mais jovens. Jesus, porém, afirmou que o único motivo aceitável para o divórcio aos olhos de Deus é a prática de relações sexuais ilícitas (Mt 19:9).

Cabe aqui a observação de que Cristo, em diversas partes dos evangelhos, amplia a abrangência da lei de Deus, tornando-a ainda mais rigorosa quanto ao que se deve ou não fazer – contrariamente à ideia divulgada por muitas denominações cristãs de que Jesus veio para abolir a lei do Antigo Testamento ou trocá-la por um novo sistema, mais brando. Outro exemplo pode ser visto no capítulo 5 de Mateus, onde Cristo afirma que o mandamento “não matarás” inclui muito mais do que tirar literalmente a vida de alguém. Segundo Ele, lançar no rosto do próximo insultos ou termos de baixo calão já torna o indivíduo um sério candidato à perdição eterna (as palavras não poderiam ser mais fortes: “estará sujeito ao inferno de fogo” [5:22]).

Pois bem, Deus também tolerou (sem aprovar – e mais à frente se discutirão os textos bíblicos que indicam o desprazer de Deus nesse sentido) o uso de vinho e outras bebidas alcoólicas, quando tirou os israelitas do Egito. Eis uma das passagens mais representativas: “Esse dinheiro, dá-lo-ás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, ou ovelhas, ou vinho, ou bebida forte [aquela produzida a partir de outros frutos da terra, com teor alcoólico superior ao do vinho], ou qualquer coisa que te pedir a tua alma; come-o ali perante o Senhor, teu Deus, e te alegrarás, tu e a tua casa” (Dt 14:26). Note-se aqui que a lei mosaica está permitindo tanto o uso do vinho fermentado quanto da bebida forte (cuja ação entorpecente, em alguns casos, pode ser mais intensa que a do vinho). Os que advogam a permissão divina atual para o consumo de vinho com base em textos como esse, também deveriam considerar exatamente da mesma forma o caso das outras bebidas, pois a Bíblia coloca ambos os gêneros (vinho e bebidas fortes) no mesmo patamar.

No entanto, considerando os efeitos nocivos (físicos e sociais) do uso das chamadas bebidas fortes – tão amplamente conhecidos por todos nós e fartamente exemplificados no texto sagrado –, é impossível admitir sem, ao menos, alguma reserva que Deus aprecie o consumo desse item entre Seus filhos. Sendo assim, por que teria permitido seu uso em Deuteronômio? A explicação para isso só pode ser encontrada nas palavras de Jesus citadas acima: foi a dureza de coração, a grosseira ignorância de um povo que acabava de sair de 400 anos de escravidão numa nação com um estilo de vida e de adoração dos mais abomináveis da história deste mundo, que motivou essa tolerância temporária da parte de Deus.

Resumindo, o pecado sempre foi ofensivo aos olhos do Senhor, em todas as épocas, mas é especialmente a partir dos tempos do Novo Testamento que o conhecimento do significado, da malignidade e das consequências do pecado ficou totalmente claro e patente aos olhos da igreja. É por esse motivo que os requisitos de Deus quanto ao comportamento de Seus filhos hoje parecem ser ainda mais rigorosos do que no passado: hoje temos conhecimento claro da batalha espiritual invisível que o Espírito Santo e os anjos de Deus travam contra Satanás e seus agentes pelo controle dos seres humanos. E sabemos (ou deveríamos saber) que temos um papel importante a desempenhar no sentido de favorecer e contribuir com o trabalho do Espírito de Deus para a santificação da nossa própria vida e da vida dos nossos semelhantes. Santificação significa abandono gradativo do pecado e dos maus hábitos, paralelamente a uma entrega cada vez maior à vontade do nosso Criador. Santificação é o efeito de nos separarmos para Deus e nos consagrarmos diariamente a Ele.

A visão bíblica da ingestão de bebidas alcoólicas

A primeira menção ao vinho fermentado que aparece na Bíblia se encontra em Gênesis 9. O texto relata que Noé, após o dilúvio, plantou uma vinha e se embriagou com a bebida por ele produzida. Bêbado, fez coisas típicas de uma pessoa com a mente entorpecida – coisas, diga-se de passagem, que a razão e a mente ajuizada dirigida por princípios éticos não nos permitem fazer quando estamos sóbrios. Muitos hoje poderiam achar graça na história, assim como muitos se divertem com as tolices que uma pessoa é capaz de fazer ou dizer quando está sob o efeito do álcool. A Bíblia, porém, trata o episódio como sendo da maior gravidade. Por causa de um momento prazeroso (e ninguém negará o prazer envolvido no ato de consumir o vinho: além do sabor agradável, existe a sensação de leveza e descontração proporcionada pelo efeito entorpecente da bebida), a vergonha se abateu sobre uma família e uma nação futura foi amaldiçoada.

Em Deuteronômio, se registrou a permissão tolerante de Deus para o consumo do vinho e de bebida fermentada em função da rudeza do Seu povo recém-saído da escravidão, conforme se viu acima. É também sob esse prisma que deveriam ser compreendidas passagens como a seguinte: “Fazes crescer a relva para os animais e as plantas, para o serviço do homem, de sorte que da terra tire o seu pão, o vinho, que alegra o coração do homem, o azeite, que lhe dá brilho ao rosto, e o alimento, que lhe sustém as forças” (Sl 104:14, 15). Existem duas palavras para a bebida feita com uvas no Antigo Testamento,yayim (normalmente o vinho fermentado, embriagante) e tirosh (suco de uva). No caso do Salmo em questão, a palavra é yayim.

Se bem que muitos considerem tratar-se de uma referência ao puro suco de uva, é possível que a recomendação de Paulo em 1 Timóteo 3:8 – “Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância” – também se encaixe no mesmo contexto da permissão tolerante de Deus em face, agora, da conversão ao cristianismo de indivíduos provenientes da licenciosa cultura greco-romana. Trata-se de um texto difícil, não há dúvida, mas uma coisa é certa: nenhuma doutrina (ou modo de proceder), do ponto de vista de nosso relacionamento com Deus, deveria ser estabelecida a partir de textos bíblicos isolados. O conjunto, o mais completo possível, é que deve sempre ser nosso guia.

Paralelamente a essa permissão tolerante, contudo, é absolutamente relevante a expressa (e ameaçadora) proibição de bebidas alcoólicas no caso daqueles que estavam envolvidos no serviço religioso: “Falou também o Senhor a Arão, dizendo: Vinho ou bebida forte tu e teus filhos não bebereis quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações, para fazerdes diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo e para ensinardes aos filhos de Israel todos os estatutos que o Senhor lhes tem falado por intermédio de Moisés” (Lv 10:8-11). Deus também proibia diretamente o uso de vinho e bebida forte no caso dos nazireus, que eram homens ou mulheres escolhidos por Deus desde o nascimento para um propósito especial, ou que faziam voto de separação/consagração especial a Deus (Nm 6:1-4; veja um exemplo de nazireado por escolha divina no caso de Sansão, em Jz 13).

No caso dos sacerdotes (e, por extensão, também dos nazireus), note a finalidade da proibição: (1) evitar que a mente fique embotada e perca – seja de forma temporária ou definitiva – a noção do que é certo e puro aos olhos de Deus; e (2) evitar que fosse interrompido o cumprimento da responsabilidade de ensinar (por preceito e exemplo) a vontade de Deus aos semelhantes. Alguém poderia duvidar de que o Senhor também anelasse a sobriedade do restante de Seu povo naquela ocasião, embora não dispusesse isso de modo direto? Por que, no entanto, a proibição direta ficou restrita a duas classes? O fato de os sacerdotes e os nazireus constituírem um modelo de conduta em muitos aspectos para o povo de Israel torna a ordem divina totalmente adequada.

Considerando esse fato, seria ir além do que está escrito admitir que o mesmo exemplo de sobriedade exigido dos sacerdotes e nazireus é requerido do povo do Senhor nos dias de hoje? Cremos que não. Recorde-se o que 1 Pedro 2:9 registra acerca da igreja cristã: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa [separada, consagrada], povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.” “A fim de proclamardes”: a verdade é proclamada tanto por meio do ensino da Palavra quanto por meio de um comportamento santificado na Palavra do Senhor. Muitos diriam, inclusive, que o exemplo comportamental de vida é mais poderoso que o testemunho discursivo.

Um exemplo maravilhoso de fidelidade e pureza foi demonstrado por Daniel e seus amigos na corte de Babilônia (Dn 1). Ao lhes ser designado vinho (bem como alimentos impuros ou impróprios para consumo), o profeta – ainda muito jovem nessa época – recusou-se a bebê-lo. E se deve notar que, segundo os padrões então em voga, o vinho da corte babilônica deveria ser de qualidade e sabor indiscutíveis – o texto bíblico declara que era o vinho que o próprio rei bebia. Os termos da narrativa são extremamente significativos: “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se” (Dn 1:8). Observe bem a força da palavra usada: “contaminar-se” com o vinho. A Bíblia, por fim, deixa claro que Daniel foi honrado pelo Senhor devido a essa atitude de domínio próprio. Deveríamos rejeitar a ideia de que a atitude de Daniel serve de exemplo para os cristãos (especialmente jovens) de hoje? Dificilmente um cristão sincero concordaria com isso.

No livro de Habacuque é pronunciada uma maldição contra aquele que oferece bebida ao seu próximo. Primeiramente, Deus declara: “Assim como o vinho é enganoso, tampouco permanece o arrogante, cuja gananciosa boca se escancara como o sepulcro e é como a morte, que não se farta” (2:5) E, depois: “Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro, misturando à bebida o seu furor, e que o embebeda para lhe contemplar as vergonhas” (2:15).

Mencione-se, como encerramento desta seção, o capítulo 35 do livro de Jeremias. Ali, Deus exalta a atitude dos recabitas, que, em obediência ao ensinamento de seu patriarca, Jonadabe (filho de Recabe), se recusaram a beber o vinho que lhes era oferecido. O Senhor, por meio do seu profeta, exalta a atitude dos recabitas, confrontando-a com a infidelidade demonstrada por Jerusalém em relação a Ele.

O tratamento dado à bebida alcoólica em Provérbios

O livro de Provérbios constitui uma fonte essencial do Antigo Testamento no tratamento do tema das bebidas alcoólicas. Em nenhum outro texto a desaprovação de Deus é apresentada de forma mais contundente. É bom lembrar que todo o conteúdo do livro deve ser lido e meditado à luz do propósito geral explicitado no início da obra: “Para aprender a sabedoria e o ensino; para entender as palavras de inteligência; para obter o ensino do bom proceder, a justiça, o juízo e a equidade; para dar aos simples prudência e aos jovens, conhecimento e bom siso” (Pv 1:2-4); mas, sobretudo, à luz da máxima: “O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino” (1:7).

Embora não se tratem de ordens diretas de Deus para abstinência de vinho e bebida forte, os seguintes trechos da obra de Salomão contêm conselhos e repreensões que, originadas em Deus por meio da iluminação da mente do rei Salomão, deveriam ser encaradas como a expressão da vontade do Senhor nessa matéria, para o nosso bem:

Provérbios 20:1: “O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; todo aquele que por eles é vencido não é sábio.”

Provérbios 23:29-35: “Para quem são os ais? Para quem, os pesares? Para quem, as rixas? Para quem, as queixas? Para quem, as feridas sem causa? E para quem, os olhos vermelhos? Para os que se demoram em beber vinho, para os que andam buscando bebida misturada. Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. Pois ao cabo morderá como a cobra e picará como o basilisco. Os teus olhos verão coisas esquisitas, e o teu coração falará perversidades. Serás como o que se deita no meio do mar e como o que se deita no alto do mastro e dirás: Espancaram-me, e não me doeu; bateram-me, e não o senti; quando despertarei? Então, tornarei a beber.”

A bebida alcoólica provoca no ser humano um estado de ânimo incompatível com o espírito de sabedoria que vem do temor de Deus. Além disso, normalmente, os contextos sociais em que se tomam bebidas alcoólicas são contextos nos quais dificilmente se conseguiria invocar a presença de Deus. Com base na leitura apenas do primeiro dos dois textos, alguém poderia argumentar que o “ser vencido” pelas bebidas alcoólicas estaria se referindo somente à embriaguez, ou seja, não haveria problema nenhum diante de Deus em beber apenas um pouco e não chegar àquele estado. Mas o segundo trecho não deixa dúvidas: “Não olhes”, não te aproximes… A linha que separa a sobriedade da embriaguez pode ser muito tênue – aquele que bebe considera a bebida inofensiva, crendo que terá sempre o controle sobre ela; no entanto, conforme o provérbio, o efeito do álcool é traiçoeiro e muitas vezes imprevisível. Além disso, quem bebe, mesmo que não se embriague, está servindo de exemplo para outro que talvez não tenha o mesmo nível de autocontrole. E a Bíblia responsabiliza aquele que, mesmo de forma indireta, induz o seu próximo à queda.

Provérbios 31:4, 5: “Não é próprio dos reis, ó Lemuel, não é próprio dos reis beber vinho, nem dos príncipes desejar bebida forte. Para que não bebam, e se esqueçam da lei, e pervertam o direito de todos os aflitos.”

Se para os reis não é próprio, para os cidadãos comuns o seria? Evidentemente que não, e pelos mesmos motivos. O ato de beber prejudica a sensibilidade espiritual e a capacidade de juízo e raciocínio e, portanto, não combina com a piedade de um filho de Deus. O simples fato de se desejar tal tipo de bebida é condenado pela Bíblia já nos tempos do Antigo Testamento.

Vinho para uso medicinal e o milagre em Caná

Provérbios 31:6, 7 traz o seguinte: “Dai bebida forte aos que perecem e vinho, aos amargurados de espírito; para que bebam, e se esqueçam da sua pobreza, e de suas fadigas não se lembrem mais.” Interessantíssimo é esse texto em que o uso da bebida alcoólica é sugerido como meio anestésico em caso de indivíduos desenganados, a fim de aliviar-lhes o sofrimento nos últimos momentos. Tratava-se de uma época em que não havia à disposição os métodos de que hoje dispomos para diminuição da sensibilidade de pacientes terminais, com dor crônica ou em processo cirúrgico. Ofereceram, inclusive, para Jesus crucificado uma poção embriagante, a qual o Senhor recusou a fim de manter as faculdades totalmente despertas em sua prova final (Mt 27:34).

Há um texto no Novo Testamento que pode estar se referindo a uma questão semelhante: “Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades” (1Tm 5:23). Aqui, Paulo aconselha Timóteo a não beber apenas água – possivelmente devido à dificuldade, muitas vezes, de encontrar água potável durante as viagens missionárias –, mas também “um pouco de vinho”. Ora, no texto original do Novo Testamento, existe uma só palavra grega (oinos) para designar tanto o vinho fermentado, como o puro suco de uva. O contexto é que deve orientar a tradução nesses casos.

Alguns afirmam que Paulo aqui não poderia estar aconselhando Timóteo a beber vinho fermentado, porque estaria contrariando o ensino bíblico acerca das bebidas alcoólicas. É possível que seja assim, uma vez que suco de uva sabidamente é um rico alimento e um poderoso remédio natural (algumas clínicas contemporâneas tratam enfermidades gravíssimas utilizando dieta a base desse suco). A mensagem de Deus por intermédio do profeta Isaías acerca do “vinho [tirosh] num cacho de uvas” é a seguinte: “Não o desperdices, pois há bênção nele.” No entanto, se Paulo estiver se referindo ao vinho alcoólico, observe sua ênfase de que deve ser pouco e com propósitos medicinais. Essa passagem especificamente é de difícil compreensão, mas seja ela qual for, o autor deste texto acredita que o princípio bíblico está aqui preservado.

Alguns acreditam que a bebida (oinos) fabricada miraculosamente por Cristo nas bodas de Caná (João 2) deve ter sido o vinho fermentado. Baseiam essa conclusão no comentário feito pelo mestre-sala de que, contrariamente ao que estava acontecendo naquela festa, normalmente se servia primeiro o vinho bom e, depois que todos já haviam bebido fartamente, é que se servia o inferior. O argumento é o de que o mestre-sala só podia estar falando de vinho alcoólico: este entorpeceria os sentidos dos seus bebedores no início da festa, de modo que eles não se incomodariam com a qualidade inferior do vinho servido por último.

Em primeiro lugar, embora tenha sua força, o argumento não é conclusivo, pois também se poderia argumentar que talvez se tratasse de um costume estabelecido naquele contexto e época o oferecimento do melhor da casa já no início da festa.

Em segundo lugar, Cristo não poderia ter fabricado vinho alcoólico, cujo efeito sobre muitos dos convidados, após beberem “fartamente” (palavra utilizada pelo próprio texto), certamente seria aquele descrito em Provérbios. Ele estaria trazendo para Si, em última instância, a responsabilidade pela intoxicação alcoólica daquelas pessoas. Além disso, o Senhor não poderia contrariar o ensino que o Espírito posteriormente transmitiria através de Paulo: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado” (1Co 3:16, 17). E, além disso: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (10:31).

Há, ainda, uma terceira consideração, que é a de que o suco puro da uva é um símbolo utilizado por Cristo para o Seu sangue, cujo derramamento nos dá vida e nos purifica de todo o pecado. Há, no milagre efetuado em Caná (o primeiro do ministério público de Jesus), um significado teológico extraordinário ligado à morte do Salvador e à mudança por ela operada na vida daqueles que O aceitam. Assim, definitivamente, o vinho produzido pelo Senhor era um suco de uva de qualidade tão excepcional, que impressionou o mestre-sala e chamou a atenção do público para o ministério do Senhor.

O papel especial da igreja cristã no tempo do fim

Já vimos que o Novo Testamento considera a igreja cristã como sendo o verdadeiro sacerdócio e a nação santa (separada). No Antigo Testamento, havia indivíduos especialmente separados para servir ao Senhor: os sacerdotes e os nazireus. Eles deveriam ser instrumentos privilegiados nas mãos de Deus para instruir o povo do Senhor nos Seus santos caminhos, tanto pelo ensino direto, quanto pela conduta de vida exemplar.

A mesma responsabilidade no sentido de servir de modelo de boas obras, segundo a vontade do Senhor, é transferida pelo Novo Testamento a toda a igreja cristã. E se a igreja cristã como um todo são os sacerdotes e nazireus modernos, não parece ser uma distorção da mensagem bíblica entender que o mesmo exemplo de domínio próprio/abstinência que Deus ordenou a essas duas classes no Antigo Testamento é o mesmo que Ele espera do povo cuja missão é preparar o mundo para a segunda vinda de Cristo. E é precisamente por esse motivo que Cristo e Seus discípulos enfatizaram tanto a necessidade de pureza e retidão moral por parte da igreja: “Aquele que diz estar nEle, também deve andar como Ele andou” (1Jo 2:6).

“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4:8).

“Quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4:22-24).

“Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (Gl 5:19-23).

“Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras. No ensino, mostra integridade, reverência, linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado, não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito” (Tt 2:7, 8).

“Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza” (1Tm 4:12).

“Possa Ele vos confirmar os corações, para que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 3:13).

“Pois Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santificação” (1Ts 4:7).

“Não vos embriagueis com vinho, em que há devassidão, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18).

“Não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef 4:30).

Considerações finais (o pensamento de Ellen G. White)

Após considerar o conjunto das informações apresentadas pela Bíblia acerca do uso de vinho e de outras bebidas alcoólicas, bem como as exortações bíblicas acerca de como deve ser a vida daqueles que se entregam a Jesus e passam a fazer parte da comunidade de crentes pré-advento (com a importante missão de representar seu Salvador e difundir Sua vontade diante de um mundo que perece nestes últimos dias de história da Terra), cremos não ser sensato sustentar a posição de que Deus aprova o uso, mesmo que moderado, dessas bebidas.

Embora não haja proibição expressa no Antigo Testamento, salvo com relação ao sacerdócio e ao nazireado, a forma como o texto sagrado trata do assunto indica qual é a posição divina em relação a ele. O uso de bebidas alcoólicas entorpece os sentidos, afastando a mente das coisas espirituais. Mesmo que o indivíduo tenha o hábito de consumir apenas doses muito pequenas, de vez em quando e, aparentemente, não haja o menor prejuízo para sua saúde, isso não pode ser usado como argumento a favor do uso de vinho ou outras bebidas fermentadas ou destiladas, assim como o consumo eventual e moderado de carne suína (aparentemente inofensivo) não pode ser usado como licença para a transgressão da proibição alimentar feita por Deus. Pecado é pecado, independentemente do tamanho. Aliás, a Bíblia adverte que “aquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tg 4:17), e também que a misericórdia de Deus é para aquele que confessa e procura abandonar a prática da transgressão (Pv 28:13).

Além disso, é importante frisar novamente a questão do exemplo. Cada um de nós é responsável, em algum grau, pelo exemplo que outros veem em nós. Podemos até ser “autocontrolados” no sentido de usarmos da bebida alcoólica de forma moderada, mas aqueles que são influenciados pelo nosso exemplo poderão não ser. As terríveis consequências do uso do álcool na vida de incontáveis indivíduos e famílias são por demais conhecidas para que se precise enumerá-las aqui. O consumo moderado, digamos “social” ou “familiar”, normalmente é a porta de entrada do vício. E mesmo que não haja consequências físicas, materiais ou sociais, existe o perigo espiritual: desafiar a vontade de Deus em coisas pequenas (“É só um pouquinho; e é tão gostoso… que mal há?”) abre espaço para o desrespeito e a controvérsia em coisas cada vez mais sérias.

Agora, uma consideração em especial quanto aos adventistas. Temos aprendido – e o apoio bíblico para essa compreensão é vasto – que Deus despertou um grupo de crentes no século 19 para dar início a um movimento religioso de amplitude mundial. A Igreja Adventista do Sétimo Dia foi suscitada pelo Senhor com o propósito de restaurar os pontos da verdade que, após um processo iniciado séculos antes, ainda haviam ficado por ser restaurados, incluída entre eles a reforma de saúde. Além dos diversos homens e mulheres que estudaram as Escrituras e receberam iluminação especial do Espírito Santo para discernir entre o certo e o errado ao formar o corpo doutrinário do movimento, Deus ainda concedeu à Sua igreja o dom profético, manifestado na pessoa de Ellen G. White.

Em 6 de junho de 1863, essa pioneira do adventismo teve aquela que ficou conhecida como a “grande visão da reforma da saúde”. A partir de então, ela começou a escrever e pregar fervorosamente sobre o assunto. Graças à orientação profética e ao trabalho de gerações de irmãos na difusão da mensagem da saúde, a Igreja Adventista do Sétimo Dia passou a ser reconhecida mundialmente pela importância que confere a esse aspecto da vida – um reconhecimento que, infelizmente, é prejudicado em grande medida nos nossos dias pela intemperança dos membros da igreja. A seguir, são reproduzidos alguns trechos de Ellen G. White, extraídos de obras publicadas em português. Cremos que são muito significativos e lançam mais alguma luz sobre o tema das bebidas alcoólicas, além do que já vimos acima.

“Qualquer hábito que não promova ação saudável no organismo humano degrada as faculdades mais altas e mais nobres. Hábitos errôneos no comer e no beber levam a erros de pensamento e de ação. A tolerância para com o apetite fortalece as propensões sensuais, dando-lhes ascendência sobre as faculdades mentais e espirituais. ‘Que vos abstenhais das concupiscências carnais, que combatem contra a alma’ (1Pd 2:11) é a linguagem do apóstolo Pedro. Muitos admitem esta advertência como aplicando-se apenas aos licenciosos; mas ela tem significado mais amplo; guarda contra toda satisfação danosa do apetite ou das paixões. É uma advertência muito vigorosa contra o uso de estimulantes e narcóticos tais como chá, café, fumo, álcool e morfina. A tolerância para com isto pode muito bem ser classificada entre as concupiscências que exercem nociva influência sobre o caráter. Quanto mais cedo são esses hábitos formados, mais firmemente eles mantêm suas vítimas na escravidão da condescendência e mais seguramente rebaixarão eles a norma de espiritualidade” (Review and Herald, 25 de janeiro de 1881, republicado emConselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 62, 63).

“Ensinai vossos filhos a evitar os estimulantes. Quantos estão ignorantemente promovendo neles um apetite por essas coisas! Na Europa vi enfermeiras chegando aos lábios de pequeninos inocentes o copo de vinho ou cerveja, cultivando assim neles o gosto pelos estimulantes. Ao crescerem, aprendem a depender mais e mais dessas coisas, até que, a pouco e pouco, são vencidos, sendo arrastados para além do alcance do auxílio” (Conselhos Sobre Regime Alimentar, p. 236).

Pergunta-se: qual é o exemplo cristão que eu, pai adventista, quero deixar para os meus filhos? Estou ensinando meus filhos a agir como Daniel, ou a condescender com o uso do que Deus considera impróprio para consumo humano, colocando, inclusive, a saúde e o caráter deles em risco? Estou ensinando meus filhos a respeitar (e amar) um ensinamento básico que acompanha a Igreja Adventista do Sétimo Dia desde os seus primórdios, ou os estou ensinando a duvidar dos rumos assumidos pela igreja nesse ponto? Quem me garantirá que meus filhos não começarão a questionar ou a desprezar outros ensinamentos da igreja e o próprio papel especial dela no tempo do fim? Como fica, enfim, o compromisso que assumi diante de Deus e da igreja, quando fui batizado, de me abster das bebidas alcoólicas e não dar motivo para escândalo tanto aos de dentro como aos que me observam de fora? Jesus disse: “Ai do homem por quem os escândalos vêm” (Mt 18:7). As implicações corrosivas do mau exemplo são extensas, sem a menor dúvida.

Em relação ao beber moderado, o alerta da autora é incisivo: “A intoxicação é produzida tão positivamente pelo vinho, cerveja e sidra, como pelas bebidas mais fortes. O uso delas suscita o gosto pelas outras, estabelecendo-se assim o hábito da bebida. O beber moderado é a escola em que os homens se educam para a carreira da embriaguez. Todavia, tão perigosa é a obra desses estimulantes mais brandos que a vítima entra no caminho da embriaguez antes de suspeitar o perigo em que se encontra” (A Ciência do Bom Viver, p. 332).

Por último, e com eles encerra-se este ensaio, seguem trechos de alguns escritos, compilados nas páginas 154 a 156 do livro Conselhos Sobre o Regime Alimentar:

“Daniel avaliava suas capacidades humanas, mas nelas não confiava. Sua confiança estava na força que Deus prometeu a todos os que forem ter com Ele em humilde dependência, confiando inteiramente no Seu poder. Ele propôs em seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; pois sabia que semelhante regime não lhe fortaleceria as faculdades físicas nem aumentaria sua capacidade mental. Não usaria vinho, nem qualquer outro estimulante artificial; não faria coisa alguma que lhe entorpecesse a mente; e Deus lhe deu ‘o conhecimento e a inteligência em todas as letras e sabedoria’, e também ‘entendimento em toda visão e sonhos’ (Dn 1:17).

“Os pais de Daniel educaram-no, em sua infância, em hábitos de estrita temperança. Haviam-lhe ensinado que devia conformar-se com as leis da natureza em todos os seus hábitos; que seu comer e beber tinham influência direta sobre sua natureza física, mental e moral, e que ele era responsável a Deus por suas capacidades; pois considerava a todas como dom de Deus, e não devia, por qualquer procedimento, atrofiá-las ou mutilá-las. Em resultado deste ensino, em sua mente exaltava a lei de Deus, e a reverenciava no coração.

“Durante os primeiros anos de seu cativeiro, passou Daniel por uma prova severa que o devia familiarizar com a grandeza da corte, com a hipocrisia e o paganismo. Estranha escola, com efeito, para prepará-lo para uma vida de sobriedade, diligência e fidelidade! E todavia viveu incorrupto pela atmosfera do mal de que se achava rodeado. A experiência de Daniel e seus jovens companheiros ilustra os benefícios que podem provir de um regime abstêmio, e mostra o que Deus fará em favor dos que com Ele cooperarem na purificação e enobrecimento da alma. Eram eles uma honra a Deus, e uma viva e brilhante luz na corte de Babilônia.

“Nesta história ouvimos a voz de Deus dirigindo-se a nós individualmente, ordenando-nos que reunamos todos os preciosos raios de luz sobre este assunto da temperança cristã, e nos coloquemos na devida relação para com as leis da saúde” (Christian Temperance and Bible Hygiene, p. 22, 23).

“Que seria se Daniel e seus companheiros se tivessem comprometido com aqueles funcionários pagãos, e tivessem cedido à pressão do momento, comendo e bebendo como era costumeiro entre os babilônios? Esse único exemplo de desvio do princípio ter-lhes-ia enfraquecido o senso da justiça e sua aversão ao mal. A condescendência com o apetite teria implicado no sacrifício do vigor físico, da clareza do intelecto e do poder espiritual. Um só passo errado, provavelmente teria levado a outros, até que, cortada sua ligação com o Céu, tivessem sido arrebatados pela tentação” (Review and Herald, 25 de janeiro de 1881).

“Quando reconhecemos as ordens de Deus, vemos que Ele requer que sejamos temperantes em todas as coisas. A finalidade de nossa criação é glorificarmos a Deus em nosso corpo e nosso espírito, que a Ele pertencem. Como podemos fazer isso se condescendemos com o apetite, para prejuízo das faculdades físicas e morais? Deus requer que apresentemos nosso corpo em sacrifício vivo. É-nos, pois, imposto o dever de preservar esse corpo na melhor condição de saúde, a fim de que possamos cumprir o que Ele de nós requer. ‘Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus’ (1Co 10:31)” (Testimonies, v. 2, p. 65).

(Renato Groger, mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero e bacharel em Teologia pelo Unasp; artigo escrito para o blog http://www.criacionismo.com.br)

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Literatura cristã para nossos pequenos

“Todos os teus filhos serão ensinados do Senhor; e será grande a paz de teus filhos.” (Isaías 54:13)

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Reconstrução

dfa26-anjodatrombeta2Há necessidade hoje da voz de severa repreensão, pois graves pecados têm separado de Deus o povo. A infidelidade está depressa tornando – se moda. “Não queremos que Este reine sobre nós” (Lucas 19:14), é a linguagem de milhares. Os sermões macios tão frequentemente pregados não deixam impressão duradoura; a trombeta não dá um sonido certo. Os homens não são atingidos no coração pelas claras, cortantes verdades da Palavra de Deus. – PR 68.1

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Deus ou Mamom

Imagem relacionadaDeus, por meio dos Profetas e apóstolos, concedeu ricas instruções para o seu povo, entre as quais está o cuidado com a avareza (Cl 3.5; 2Pe 2.3,14). Aqueles que servem a Deus devem se desviar da ganância (Ex 18.21), pois não é o ideal divino que Seus filhos sejam amantes do dinheiro. Não se pode servir a dois senhores, e isso é demonstrado de forma vívida na narrativa bíblica (1 Sm 8.3). Cristo, quando consultado, deu o seguinte conselho: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui (Lc 12.15).”

Kenneth E. Bailey bem salienta: “No que diz respeito ás coisas materiais, Jesus falou mais sobre dinheiro do que sobre oração. Toda vez que falava de dinheiro, ele fazia isso com o pressuposto de que todas as coisas pertencem a Deus. ‘Do Senhor é a terra e toda a sua plenitude’ (Sl 24.1), escreveu o salmista. Isso significa que o direito à propriedade privada é proibido? Na concepção bíblica, somos mordomos, isto é, administradores, de todos os nossos bens, e responsáveis perante Deus pelo que fazemos com eles.”[i]

O dinheiro pode ser uma benção na mão de um mordomo fiel, mas também pode ser uma maldição quando é usado de forma incorreta ou colocado como a principal prioridade na vida. O apóstolo Paulo bem nos exorta a esse respeito em 1 Timóteo 6.6-10.

A busca por poder aquisitivo é perigosa. Bailey destaca: “Os bens estão ligados a um profundo, e muitas vezes irracional, medo – o medo de um dia não se ter o suficiente. Por mais riqueza que se possa armazenar, esse medo corrosivo pressiona o ser humano frágil a adquirir mais. Nunca há o suficiente, porque a insegurança nunca morre. […] Se Deus é o dono de todas as coisas materiais, e as pessoas são apenas seus administradores, que direitos elas têm aos excedentes que seus desejos quase sempre geram? Entre as famosas reações aos excedentes estão:

  • Escondê-los;
  • Ostentá-los;
  • Gastá-los em caras viagens de férias;
  • Melhorar o estilo de vida e, assim, evaporá-los;
  • Comprar brinquedos caros e contrair dívidas;
  • Comprar mais seguros;
  • Fingir ser pobre e viver mal;
  • Usá-los para adquirir poder”.[ii]

Existem diversos fatores que podem levar um cristão a mergulhar na busca incessante pelo dinheiro. Um deles é a baixa autoestima, como é salientado por Brennan Manning: “Muitos cristãos […] encontram-se derrotados pela mais psicológica das armas que Satanás usa conta eles. Essa arma tem a eficácia de um míssil mortal. Seu nome? Baixa autoestima3”[iii]. Muitos têm buscado nos bens materiais o que não possuem em si mesmos. A busca por popularidade é constante e é o que o “eu/ego” necessita. Satanás é astuto e usa de diversas armas para ludibriar e, assim, levar os mordomos de Deus a pecar contra o Céu.

Diferentemente do pensamento grego e gnóstico, o mundo material é bom na concepção judaico-cristã bíblica. No livro de Gênesis, que registra a criação do mundo, ocorrem cinco vezes a expressão “e viu Deus que era bom”, ou seja, as coisas materiais não são ruins.

Ellen G. White faz significativo comentário sobre a obra que saíra das mãos de Deus:

“‘Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da Sua boca.’ Sal. 33:6 e 9. ‘Porque falou, e tudo se fez; mandou, e logo tudo apareceu.’ ‘Lançou os fundamentos da Terra, para que não vacile em tempo algum.’ Sal. 104:5.

“Quando a Terra saiu das mãos de seu Criador, era extraordinariamente bela. Variada era a sua superfície, contendo montanhas, colinas e planícies, entrecortadas por majestosos rios e formosos lagos; as colinas e montanhas, entretanto, não eram abruptas e escabrosas, tendo em grande quantidade tremendos despenhadeiros e medonhos abismos como hoje elas são; as arestas agudas e ásperas do pétreo arcabouço da terra estavam sepultadas por sob o solo fértil, que por toda parte produzia um pujante crescimento de vegetação. Não havia asquerosos pântanos nem áridos desertos. Graciosos arbustos e delicadas flores saudavam a vista aonde quer que está se volvesse”.[iv]

Sobre essa criação, o homem foi constituído mordomo (Gn 1.26-28). White bem salienta:

“Ele foi posto, como representante de Deus, sobre as ordens inferiores de seres. Estes não podem compreender ou reconhecer a soberania de Deus, todavia foram feitos com capacidade de amar e servir ao homem. Diz o salmista: ‘Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das Tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: … os animais do campo, as aves dos céus, … e tudo o que passa pelas veredas dos mares’. Sal. 8:6-8”.[v]

Dentro desta perspectiva, é fundamental que todo Cristão entenda que Deus é um Deus de amor, que Ele quer o melhor para Seus filhos e que Ele os regatou com Seu próprio sangue.

[i]  Jesus Pela Ótica do Oriente Médio, p. 300.

[ii] Ibid., p. 304.

[iii] O Impostor que Vive em Mim, p. 24.

[iv] Patriarcas e Profetas, p. 44.

[v] Ibid., p. 45.

Sérgio Monteiro

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